Após tremor, cidade japonesa fecha usina nuclear

Decisão foi tomada depois que agência da ONU criticou a empresa por minimizar o risco de terremoto

George Nishiyama, REUTERS

18 Julho 2007 | 11h41

Uma cidade japonesa ordenou que a maior usina nuclear do mundo fique fechada até que haja mais segurança, depois que a agência nuclear da ONU criticou a empresa por minimizar o risco de um terremoto como o da semana passada. Horas depois da ordem dada nesta quarta-feira, 18, a empresa Tokyo Electric Power Co. (Tepco) reviu para cima o nível de radiação que vazou para o mar, um dos cerca de 50 problemas relatados na usina de Kashiwazaki-Kariwa após o terremoto de segunda-feira, 16. "Esta claro que este terremoto, como a Tepco indicou, foi mais forte do que o reator foi projetado para suportar", disse Mohamed El Baradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), a jornalistas na Malásia. Ele cobrou uma minuciosa investigação. Por causa do terremoto de magnitude 6,8, que teve epicentro perto da cidade de Kashiwazaki (noroeste do Japão) e matou nove pessoas, as estradas que levam ao complexo nuclear ficaram tortas e rachadas. Em uma instalação da usina ainda é possível ver um vapor branco subindo. O setor nuclear japonês, que fornece quase um terço da eletricidade do país, está marcado há anos por acobertamento de acidentes e condições de segurança precárias. Tudo isso já causava preocupações aos moradores da região, que em 2004 sofreu outro grande tremor, que fez 65 vítimas fatais. "Tivemos dois grandes (terremotos) nos últimos três anos," disse Hoshi Murofushi, 60 anos, refugiado com dois netos em um abrigo da vizinha Kariwa. "Não há garantia de que não haverá outro. Será tarde demais se tivermos outro Chernobyl", disse ele, referindo-se à usina nuclear ucraniana onde ocorreu um grave acidente em 1986. A Tepco disse ter errado nos cálculos da quantidade de radiação em 1.200 litros de água que vazaram da usina, mas que o problema ainda está dentro dos parâmetros oficiais e não representa uma ameaça ao meio ambiente. A Tepco pediu que seis outras empresas supram a eletricidade que deve faltar. As ações da empresa caíram 4 por cento na quarta-feira, maior queda em cinco meses. Funcionários do governo, inclusive o primeiro-ministro Shinzo Abe, criticaram a TEPCO, dizendo que ela demorou a divulgar informações e que isso pode abalar a credibilidade no sistema nuclear. Já o chefe-de-gabinete do governo, Yasuhisa Shiozaki, pediu cautela nas informações. "Houve relatos da mídia hoje de manhã dizendo que 50 problemas foram achados. Mas perguntei pelo conteúdo e, embora houvesse problemas graves, a maioria não estava ligada diretamente às emissões de radiação", afirmou a jornalistas.

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