Após tremores, Nepal está no escuro e comunicação é precária

Reabertura do aeroporto de Katmandu, neste domingo, gerou confusão no embarque e no desembarque de passageiros

Lisandra Paraguassu, Enviada especial / KATMANDU

27 de abril de 2015 | 00h00

Um dia depois do terremoto de 7,8 graus que devastou o Nepal, a capital do país se mantinha neste domingo em estado de pânico. No início da tarde, outro forte tremor, desta vez de 6,7 graus, fez com que nepaleses e turistas corressem mais uma vez para as ruas. O número oficial de mortos do abalo que devastou as maiores cidades do país no sábado chegou a 2,5 mil. 

Na noite deste domingo, com chuva e temperaturas abaixo dos 15°C, famílias inteiras dormiram sob marquises, toldos ou tendas feitas de painéis de propaganda em pedaços de madeira. Nos hotéis, camas foram montadas em lobbies e jardins. Com o risco de mais um forte tremor, ninguém se arriscava a estar longe de portas abertas e rotas de fuga. 

O aeroporto de Katmandu, fechado desde o momento do primeiro tremor, reabriu neste domingo. Milhares de pessoas correram para o local na tentativa de embarcar no primeiro voo para fora do Nepal, mas poucas conseguiram. Por outro lado, nepaleses tentavam embarcar a qualquer custo em Abu Dabi e Doha para voltar para casa. 

Somavam-se à confusão no aeroporto dezenas de jornalistas que chegaram à cidade e ainda alguns turistas que, apesar dos problemas e das dezenas de rotas de trekking destruídas, decidiram manter as viagens já programadas. Um desses turistas, russo, que preferiu não se identificar, disse ao Estado que já estava com a viagem paga e as reservas feitas. 

Retido por uma noite em Abu Dabi, decidiu manter a viagem, planejada há um ano, para o acampamento base do Everest, onde avalanches provocadas pelo terremoto mataram pelo menos 18 pessoas.

Abalos secundários. Tremores ainda sacodem o país periodicamente. Especula-se sobre mais um grande terremoto nos próximos dias, mas as previsões são na verdade precárias e pouco precisas. 

Boa parte do Nepal está no escuro e os sistemas de comunicação funcionam apenas de forma intermitente. Nos centros de tratamento e tendas improvisadas, faltam médicos, mantimentos, remédios e água. Sobram feridos – cerca de 5 mil nas ultimas estatísticas oficiais.

Ajuda. Reforços estrangeiros para os trabalhos de resgate, que começaram a chegar ainda no sábado, aumentaram no domingo. Os Estados Unidos enviaram uma equipe de socorristas e liberaram US$ 1 milhão para auxílio humanitário. Paramédicos e outros especialistas também foram enviados por China, Índia, Alemanha e Paquistão. 

A Grã-Bretanha anunciou que enviaria equipes de resgate e aviões com suprimentos. O governo britânico acredita que muitos de seus cidadãos ficaram retidos no Everest após a avalanche causada pelo sismo.

A ONU divulgou neste domingo a estimativa de que 6 milhões de pessoas vivem ou viviam em áreas atingidas pelo tremor. A organização também enviará ajuda humanitária e suprimentos.


A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO INTERNATIONAL REPORTING PROJECT (IRP)

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