Após triunfos, Hillary deve reforçar ataques contra Obama

Vitórias no Texas e em Ohio mostram que deu certo jogar duro, mas indefinição favorece McCain

Patrícia Campos Mello e Cristiano Dias, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2008 | 00h00

Columbus, Ohio - O renascimento da campanha de Hillary Clinton vai arrastar a definição do candidato democrata até pelo menos 22 de abril, quando ocorre a primária da Pensilvânia. A indefinição favorece o candidato republicano John McCain, que confirmou sua indicação com as vitórias de terça-feira. A recuperação de última hora da campanha de Hillary, com as importantes vitórias de terça nas primárias do Texas e de Ohio, mostra que a enxurrada de ataques contra Barack Obama funcionou. O questionamento das credenciais de política externa de Obama foi um dos pontos que influenciaram muitos eleitores indecisos, afirma Mary Frances Berry, professora de História e Pensamento Americano da Universidade da Pensilvânia.A campanha de Obama apelidou a tática de Hillary de "pia da cozinha" - atacar com tudo o que estiver ao alcance, esperando que alguma coisa cole. Como a tática funcionou, espera-se muita lama pela frente. E isso é má notícia para os democratas. Enquanto eles se atacam, McCain luta para unir o Partido Republicano em torno de sua candidatura e se prepara para combater o indicado democrata.Obama ainda está à frente em número de delegados e é matematicamente impossível para Hillary ultrapassá-lo, mesmo que ela ganhe de lavada todas as próximas primárias, algo improvável. Mas Hillary ganhou impulso com a vitória nas primárias do Texas (por 51% a 48%) e de Ohio (54% a 44%). "Obama está na frente em número de delegados, mas nenhum dos dois vai chegar ao número mínimo necessário para levar a indicação - são os superdelegados que vão decidir", diz Mary Frances. Os superdelegados, que são membros da direção do partido, congressistas e governadores. Como a máquina partidária está nas mãos de Hillary e de Clinton, é consenso na campanha de Obama que a eleição não pode ser decidida pelos superdelegados. Para convencer os superdelegados, Hillary vai argumentar que venceu em todos os grandes Estados. E vai lançar mão do argumento Ohio. "A nação vai para onde Ohio vai", disse a senadora ontem, referindo-se ao fato de o Estado ter votado no próximo presidente nos últimos 44 anos. Enquanto isso, Obama vai bater na tecla de que os superdelegados deveriam seguir o voto popular - apoiando, portanto, o seu nome. Ontem, Hillary aludiu à possibilidade de uma chapa com Obama. "Talvez as coisas estejam caminhando nessa direção, mas aí obviamente precisamos definir quem é a cabeça da chapa. O povo de Ohio disse muito claramente que eu devo ser."Para alguns figurões democratas, a escolha do adversário de McCain nas eleições de novembro seria muito menos traumática se Obama tivesse nocauteado Hillary na terça-feira. "Como em uma luta de boxe, ela estava grogue e ele perdeu a chance de colocá-la na lona", disse Garry South, estrategista democrata, que já trabalhou para o ex-presidente Bill Clinton. Segundo ele, a direção nacional precisa desesperadamente que a decisão saia antes da convenção, em agosto, para evitar questões que podem dividir o partido. Uma delas diz respeito ao que fazer com os votos das primárias da Flórida e Michigan. Os Estados foram punidos pela direção do partido com a perda de todos os seus delegados por terem antecipado a votação. A punição havia sido estabelecida em 2007, quando todos davam como certa a vitória de Hillary antes da Superterça, em fevereiro. Assim, bastava a direção voltar atrás e convocar os delegados de Michigan e da Flórida. O problema é que ninguém contava com a ascensão de Obama. Seja qual for a decisão do partido, a briga não parece ter final feliz à vista. Um quarto dos eleitores de Obama, segundo pesquisa da CNN, disse que, se a vencedora for Hillary, eles votarão em McCain em novembro. Se o indicado for Obama, 10% dos eleitores de Hillary fariam o mesmo.

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