REUTERS/Remo Casilli
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Após Trump e Brexit, atenção se volta para referendo na Itália

Consulta sobre reforma constitucional pode ser oportunidade para eleitores de uma grande economia se rebelarem contra o establishment

O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 06h00

NOVA YORK - Após a vitória do Brexit e da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, todos os olhos se voltam para os desenvolvimentos políticos na Itália. O referendo do dia 4 de dezembro para decidir sobre a reforma constitucional proposta pelo primeiro-ministro Matteo Renzi - formulada para fortalecer o poder do governo ao facilitar a aprovação de leis - é a próxima oportunidade de os eleitores de uma grande economia se voltarem contra o establishment.

Pesquisas mostram que atualmente o voto pelo "não" está ligeiramente à frente do "sim". Mesmo assim, um quarto dos eleitores ainda estão indecisos. Por meses, legisladores europeus têm alertado que veem a Itália como o maior risco para a estabilidade financeira da zona do euro. O mercado também está farejando problemas no futuro: a diferença entre os rendimentos dos bônus governamentais da Alemanha e da Itália aumentou para mais de 1,6% - a maior desde que o Banco Central Europeu começou a comprar bônus em março de 2015.

O pior cenário seria uma derrota de Renzi resultando em um período de instabilidade política. O primeiro-ministro pode seguir com sua promessa de renúncia, ou ser forçado a uma nova coalizão até as eleições de 2018. De qualquer forma, os mercados vão interpretar sua derrota como prova de que Roma não é capaz de conduzir uma reforma, levantando dúvidas sobre a habilidade dos italianos de entregar o crescimento necessário para colocar sua pesada dívida de 135% do Produto Interno Bruto (PIB), nos trilhos.

Como resultado, isso poderia tornar os investidores ainda mais relutantes em colocar capital no sistema bancário italiano, forçando os bancos a impor perdas aos detentores de bônus, muitos dos quais são poupadores comuns. Isso criaria uma espetacular agitação política que poderia levar o Movimento 5 Stelle (M5S - Movimento Cinco Estrelas, em português) ao poder em 2018. O M5S é um partido que se opõe à União Europeia e ao establishment e pode pôr em dúvidas a participação da Itália no bloco.

Existe um ponto de vista alternativo que diz que o resultado do referendo não importa. É claro que haveria um período de instabilidade política na Itália, mas isso não é incomum no país. Mesmo que Renzi tenha dito que pode renunciar, o presidente insistiria que ele permanecesse. De fato, o principal partido de oposição de centro-direita, conduzido por Silvio Berlusconi, quer que ele permaneça e trabalharia com ele, de acordo com membros de alto escalão do partido. / Dow Jones Newswires

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