Após tufão, Filipinas declaram toque de recolher para conter saqueadores

Tragédia que segundo estimativa de autoridades matou mais de 10 mil leva governo a reforçar segurança, enquanto ONU libera fundo de emergência de US$ 25 milhões

12 de novembro de 2013 | 00h10

O presidente das Filipinas, Benigno Aquino III, decretou nesta segunda-feira estado de calamidade em razão das mortes e da destruição causadas pelo tufão Haiyan, que atingiu o país entre sexta-feira e sábado e deixou mais de 10 mil mortos, segundo estimativa de autoridades. A medida é uma tentativa de evitar a especulação financeira e impor um controle de preços sobre os bens de primeira necessidade.

Um toque de recolher de 20 horas às 5 horas foi imposto pelo governo para tentar evitar furtos e saques. Segundo a Reuters, não foi possível confirmar se a medida está sendo cumprida.

Autoridades filipinas afirmaram que o número de pessoas atingidas chega a quase 9,7 milhões, das quais 615 mil foram desalojadas. Cerca de 430 mil filipinos foram levados para 1,4 mil abrigos temporários.

"As autoridades locais estimam que cerca de 10 mil pessoas morreram só em Tacloban", afirmou a chefe de operações humanitárias da ONU, Valerie Amo. Ontem, as Nações Unidas liberaram US$ 25 milhões de seus fundos de emergência para o país.

Pelo menos uma dezena de aviões militares de carga dos EUA e das Filipinas chegaram à cidade de Tacloban, na Província de Leyte – região mais afetada pelo tufão. Segundo a Força Aérea filipina, 66 toneladas de suprimentos foram distribuídas desde sábado. "As pessoas estão perambulando pela cidade, procurando comida e água", disse Christopher Pedrosa, um funcionário do governo.

Caminhões que saem de aeroportos levando ajuda têm dificuldade para entrar nas cidades em razão da quantidade de pessoas que tentam deixar as áreas mais destruídas. Centenas já partiram em aviões cargueiros para a capital, Manila, ou para Cebu, segunda maior cidade do país. Outros dormem de modo precário nos aeroportos na esperança de conseguir entrar num voo nos próximos dias.

No fim de semana, foram registrados saques em mercados e em shopping centers. Segundo Pedrosa, na manhã desta segunda soldados dispararam tiros de advertência para impedir que pessoas roubassem combustível de um posto. A presença maior de soldados e da polícia nas ruas cobertas de detritos impediu mais saques. Há outro motivo para os saques terem diminuídos. "Não sobrou nada para saquear", disse Pedrosa.

Em algumas áreas, garrafas de refrigerante foram distribuídas de graça, já que era impossível encontrar água potável. As autoridades estão prevenindo os moradores para que não bebam água de poços, provavelmente poluídos.

Até esta segunda-feira, as autoridades confirmavam 942 mortes em todo o país. Entidades de ajuda humanitária que trabalham nos resgates, no entanto, mantêm a previsão de milhares de mortos, já que muitos corpos ainda podem estar debaixo de escombros. Segundo a ONG Care, até a manhã de terça-feira, horário local (noite de segunda-feira, no Brasil), muitas áreas ainda estavam isoladas e não tinham recebido nenhum tipo de ajuda.

"As pessoas estão desesperadas. Algumas autoridades nos avisaram que houve saques nesta região, que as pessoas estão procurando arroz para alimentar suas famílias", escreveu a responsável pela comunicação da Care, Sandra Bulling.

Também atuando na região, a Médicos Sem Fronteira (MSF) afirmou, em nota, não ser possível avaliar a dimensão das necessidades na região porque é muito difícil chegar às regiões mais remotas das Filipinas.

"No momento, estamos operando em meio a um vazio em termos de informação. O que sabemos é que a situação é terrível. Aquilo que não vemos é o que mais nos preocupa. Ninguém sabe como está a situação em zonas rurais e remotas e levará tempo até que tenhamos uma imagem completa", disse a coordenadora de emergência de MSF, Natasha Reyes.

Nesta segunda-feira, o tufão Haiyan também passou pelo Vietnã e chegou ao sul da China, deixando pelo menos 17 mortos e centenas de feridos nos dois países. No fim de semana, oito pessoas morreram em Taiwan durante a passagem da tempestade. / REUTERS, AP, AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
FilipinasTufão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.