AFP PHOTO / MANDEL NGAN
AFP PHOTO / MANDEL NGAN

Após acusações de Trump, Paquistão convoca embaixador americano para reunião

Decisão foi tomada depois que o presidente dos EUA disse em sua conta no Twitter que os paquistaneses não deram nada a Washington a não ser ‘mentiras e enganações’

O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 04h53
Atualizado 02 Janeiro 2018 | 08h40

ISLAMABAD - O Paquistão convocou o embaixador dos EUA para uma reunião em Islamabad após o tuíte do presidente americano, Donald Trump, que acusou as autoridades paquistanesas de mentirem, anunciou um porta-voz da embaixada nesta terça-feira, 2.

+ Artigo: A grande narrativa global de nossa era

Na véspera, o embaixador David Hale foi convidado a comparecer ao Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, declarou um porta-voz da embaixada americana. "Foi se reunir com autoridades. Não faremos qualquer comentário sobre o conteúdo da reunião", acrescentou o porta-voz.

+ Gala, glamour e rotina: o ano-novo de Trump

"Os EUA equivocadamente deram ao Paquistão mais de US$ 33 bilhões em ajuda durante os últimos 15 anos, e eles não nos deram nada que não fosse mentiras e enganações, fazendo nossos líderes de bobos", disse Trump em seu primeiro tuíte de 2018. "Eles dão apoio aos terroristas que caçamos no Afeganistão, com pouca ajuda. Não mais!", acrescentou.

As novas acusações de Trump surgiram depois que o jornal The New York Times informou na sexta-feira que a Casa Branca poderia reter em breve US$ 225 milhões de ajuda ao Paquistão em razão da suposta negligência com relação ao combate às redes terroristas.

Até agora, a única reação oficial foi do ministro paquistanês da Defesa, Khurram Dastgir-Khan. O Paquistão "deu aos EUA livre acesso a seu espaço aéreo e terrestre, às suas bases militares e a uma cooperação em matéria de inteligência, que dizimou a Al-Qaeda durante 16 anos, mas não nos deram nada em troca, além de insultos e desconfiança", disse o ministro Dastgir-Khan em sua conta no Twitter.

As relações entre o Paquistão e os EUA esfriaram após as acusações em agosto de Trump de que as autoridades paquistanesas permitem a presença em seu território de grupos terroristas que realizam atentados em países vizinhos.

Washington e Cabul acusaram Islamabad durante anos de dar refúgio à facção taleban Rede Haqqani, que atenta contra tropas afegãs e americanas, mas nenhum governante dos EUA havia se expressado de forma tão dura sobre o país asiático. O Paquistão nega as acusações e suspendeu visitas oficiais entre ambos países após as palavras de Trump. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.