Após vários incidentes e três mortes, termina eleição no Haiti

Haitianos lotaram as salas eleitorais para votar na eleição que busca restaurar a democracia ao país. "O povo votou em massa", disse o enviado especial da Organização das Nações Unidas, Juan Gabriel Valdes depois que oficiais eleitorais ampliaram o horário de votação em várias horas. A porta-voz da comissão de eleições do Haiti, Stephane Lacroix, disse na noite desta terça-feira que as urnas foram fechadas mais de 13 horas depois de sua prevista abertura.ConflitosA eleição desta terça-feira foi marcada por uma série de incidentes que resultaram na morte de pelo menos três pessoas. Várias pessoas ficaram feridas nas primeiras horas das eleições, vítimas dos tumultos que tomaram algumas das zonas eleitorais da capital Porto Príncipe. Um policial foi linchado até a morte depois que matou a tiros uma pessoa durante uma confusão na entrada de um centro de votação. Erilien Pierre, de 76 anos, morreu asfixiado após ser cercado por milhares de pessoas que desordenadamente tentavam chegar ao centro de votação de Jaquet, no bairro Petion-Ville, em Porto Príncipe, confirmaram as autoridades. No centro de votação de Circulacion, nas proximidades do bairro de Cité Soleil, várias pessoas ficaram feridas pela mesma causa. Muitos centros de votação não puderam abrir no horário previsto, às 6h (9h de Brasília), devido a problemas de eletricidade. Na favela mais conflituosa de Porto Príncipe, Cité Soleil, os eleitores começaram uma peregrinação às 4h (horário local) para outras áreas da cidade a fim de votar. O bairro - onde vivem cerca de 300 mil pessoas - serve de refúgio para os principais grupos armados que atuam em Porto Príncipe e por isso não recebeu centros de votação. Soldados brasileiros usaram gás lacrimogêneo para "dispersar um tumulto" em Croix de Rouge, área rural de Porto Príncipe patrulhada pelo Brasil, segundo o porta-voz do batalhão, tenente-coronel Fernando da Cunha Mattos.O pleitoNestas eleições, 3,5 milhões de haitianos foram convocados às urnas para escolher o presidente da República entre 33 candidatos, e 30 senadores e 99 deputados entre 1.300 candidatos. O pleito, adiado quatro vezes no ano passado, foi convocado pelo governo provisório instaurado após a revolta popular em fevereiro de 2004, que tirou do poder e do país o então presidente, Jean-Bertrand Aristide, exilado na África do Sul. As eleições são vigiadas por centenas de observadores internacionais das Nações Unidas, da União Européia, do Mercado Comum do Caribe, do Instituto Nacional Democrata dos EUA e da Organização Internacional da Francofonia.

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