AP Photo/Craig Ruttle
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Após veto de Trump, refugiados são detidos em aeroportos nos EUA

Decreto entra em vigor e já afeta imigrantes que estavam a caminho dos EUA fugindo de conflitos no Oriente Médio; muçulmanos de sete países não podem tirar visto

Cláudia Trevisan, Correpondente / Washington, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2017 | 13h12
Atualizado 28 Janeiro 2017 | 17h33

WASHINGTON -  Refugiados que estavam a caminho dos Estados Unidos quando o presidente Donald Trump assinou o decreto proibindo-os de entrar no país foram barrados e presos na manhã deste sábado, 28, em aeroportos do país. As prisões provocaram uma série de recursos na Justiça americana contra as prisões. 

A primeira delas foi feita pelos advogados de dois refugiados iraquianos detidos no Aeroporto JFK, em Nova York. Seus advogados entraram com um pedido de habeas corpus para que eles fossem liberados. Ao mesmo tempo, os representantes entraram com um pedido de representação coletiva, para que a medida pudesse valer para todos os refugiados detidos neste sábado - cujo número ainda não se sabia ao certo qual era. 

Até o começo da tarde deste sábado, apenas Hameed Khalid Darweesh, um iraquiano que trabalhou como interprete para soldados americanos, tinha sido libertado depois de ficar 19 horas detido. O outro homem, Haider Sameer Abdulkhaleq Alshawi, continuava preso aguardando que seu recurso fosse analisado pela Justiça.

A ordem de Trump suspendeu a entrada de qualquer refugiado nos Estados Unidos por 120 dias e proibiu muçulmanos de Iraque, Síria, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen de tirar visto para entrar no país por 90 dias. 

Repercussão. O veto à entrada de muçulmanos nos EUA foi criticado por entidades de defesa de direitos civis, parlamentares democratas e executivos do Facebook e Google, companhias que têm funcionários de países islâmicos. A medida também foi condenada por Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2014.

O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados lamentou a suspensão por quatro meses da aceitação de refugiados de todos o mundo. A entrada de sírios foi suspensa por prazo indeterminado. A instituição afirmou que refugiados devem tratamento igualitário, independentemente de sua religião, nacionalidade ou raça.

Ao mesmo tempo em que restringiu a entrada de muçulmanos, Trump determinou que seja dada prioridade para cristãos que solicitam o status de refugiados.

Na segunda-feira, o Conselho de Relações Americana-Islâmica apresentará uma ação judicial contra as medidas de Trump. Lena Masri, diretora da entidade, afirmou que não há nenhuma indicação de que refugiados sejam uma ameaça à segurança nacional. “Essa ordem é baseada em intolerância, não na realidade.”

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, criticou a medida em um post na mídia social. “Como muitos de vocês, eu estou preocupado com os recentes decretos assinados pelo presidente Trump”, escreveu. “Nós precisamos manter esse país seguro, mas nós devemos focar em pessoas que realmente representam uma ameaça”, disse Zuckerberg.

O CEO do Google, Sundar Pichai, lamentou os anúncios em memorando enviado aos funcionários da empresa, obtido pela Bloomberg. “Nós estamos contrariados com o impacto desse decreto e quaisquer propostas que possam impor restrições aos Googlers e seus familiares ou que possam criar barreira para trazer grandes talentos aos EUA”, afirmou.

“É doloroso ver o custo pessoal desse decreto sobre nossos colegas.”

As medidas também foi atacadas por parlamentares democratas. “Essa administração confunde de maneira equivocada crueldade com força e preconceito com estratégica”, disse a líder do partido na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi. “Americanos de todas as crenças devem confrontar e rejeitar qualquer tentativa de excluir ou discriminar algué com base em sua religião”, disse.

“Há lágrimas escorrendo no rosto da Estátua da Liberdade”, escreveu no Twitter o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, em referência ao símbolo da tradição de recebimento de imigrantes. / COM NYT

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