Matt Rourke/AP
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Após violência, Baltimore decreta toque de recolher

Conflitos raciais deixam 15 policiais feridos e prédios queimados; em meio à tensão, Loretta Lynch é a 1ª negra a assumir Departamento de Justiça

Cláudia Trevisan - Correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 01h11

WASHINGTON - Primeira mulher negra a ser nomeada para o Departamento de Justiça dos EUA, Loretta Lynch assumiu o cargo nesta segunda-feira, 27, em meio a uma nova crise provocada pela morte de mais um negro desarmado nas mãos da polícia. Poucas horas depois de ela prestar juramento, jovens enfrentaram forças de segurança em Baltimore, a 60 quilômetros de Washington, causando uma onda de saques e destruição de edifícios, carros particulares e veículos da polícia.

No início da noite, o governo de Maryland decretou estado de emergência na cidade e a prefeita Stephanie Rawlings-Blake impôs toque de recolher à noite, quando pelo menos dois edifícios foram incendiados - a medida entra em vigor hoje e valerá por uma semana. Segundo autoridades locais, 15 policiais ficaram feridos nos confrontos.


A tensão racial que opõe a comunidade negra a agentes de segurança brancos em diversas partes dos EUA aflorou em Baltimore depois da morte de um homem negro desarmado de 25 anos. Freddie Gray teve sua coluna vertebral fraturada em circunstâncias ainda não esclarecidas depois de ser preso, no dia 12. Hospitalizado, ele entrou em coma e morreu uma semana mais tarde. 

Seis oficiais envolvidos na prisão foram suspensos. Na sexta-feira, o vice-comissário de Baltimore, Kevin Davis, reconheceu que policiais não deram assistência médica necessária ao detido em "múltiplas" ocasiões.

Enquanto Lynch fazia seu juramento em Washington, a família de Gray participava de seu funeral em Baltimore. Horas mais tarde, jovens ocuparam as ruas da cidade e começaram a atirar pedras e outros objetos contra policiais. A situação se deteriorou rapidamente, com a destruição de vários carros e o saque de lojas e de um shopping center. 

Billy Murphy, advogado que representa a família de Gray, disse que eles estavam chocados com o enfrentamento. "Eles não querem que esse momento seja desfigurado pela violência", declarou Murphy. "Não faz o menor sentido."

À tarde, Lynch se reuniu com o presidente Barack Obama. O encontro já estava planejado e não foi convocado em razão do agravamento da crise em Baltimore. Ainda assim, a situação foi discutida por eles. Segundo a Casa Branca, Obama conversou por telefone com Rawlings-Blake e colocou à sua disposição assistência federal para enfrentar os conflitos. 

A prefeita, que é negra, disse que os envolvidos nos confrontos eram "criminosos" e lamentou a destruição de regiões da cidade, onde os negros representam 63% da população. 

A nova secretária de Justiça substituirá Eric Holder, o primeiro negro a ocupar o cargo. Nos últimos seis anos, ele colocou a questão dos direitos civis e da investigação dos casos de violência policial no centro de sua atuação. 

A tensão racial entre os responsáveis pela segurança pública e comunidades negras explodiu no ano passado com a morte de Michael Brown, jovem de 18 anos que foi morto a tiros por um policial branco. O caso provocou semanas de protestos em Ferguson, no Estado de Missouri, alguns dos quais violentos.

Na época, Holder determinou a abertura de uma investigação federal para determinar se os direitos civis de Brown haviam sido violados. Em março, os responsáveis pelo caso concluíram que não havia elementos para abertura de um processo contra o policial Darren Wilson. Na semana passada, o Departamento de Justiça iniciou uma investigação semelhante sobre o episódio de Baltimore.

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