Após violenta noite de protestos, premiê hungaro se recusa a renunciar

O primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, que admitiu ter mentido durante as últimas eleições do parlamento, desafiou nesta terça-feira os pedidos dos opositores para renunciar, após uma noite de violentos protestos, que ele chamou de "a mais longa e tenebrosa noite da república".Os manifestantes entraram em confronto com a polícia e atacaram a sede da televisão estatal húngara no início da terça-feira, em uma explosão de raiva devido à uma gravação na qual o premiê afirma que o seu governo "mentiu manhã, tarde e noite" sobre a economia.O premiê disse que os levantes da madrugada causaram "a mais olonga e tenebrosa noite" para o país desde o fim do comunismo em 1989. Aproximadamente 150 pessoas ficaram feridas, incluindo 102 policiais, que sofreram sérios ferimentos na cabeça, segundo policiais. Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Gyurcsany, de forma desafiadora, se recusa a renunciar, como querem os manifestantes, afirmando querer levar em frente uma reforma ecnonômica que irá sanar a economia do país. "Eu fico e faço meu trabalho. Estou extremamente comprometido com o cumprimento do meu programa na íntegra, de ajustes fiscais e reformas", Gyurcsany disse à AP. "Sei que é muito difícil para o povo, mas é a única direção para a Hungria". Gyurcsany condenou o "vandalismo" dos dois a três mil manifestantes que entraram em confronto com a políciae invadiram a sede da televisão húngara, mas disse ter total confiança na polícia para restaurar a ordem.Uma terceira rodada de protestos deve acontecer na noite desta terça-feira. Centenas de policiais foram enviados para o centro da capital Peste, para reforçar as forças posicionadas nos prédios públicos, e milhares de manifestantes se reuniram fora do parlamento antes do anoitecer. A explosão de raiva pode estar ligada às medidas austeras implementadas pela coalizão liderada pelos socialistas de Gyurcsany no sentido de reinar em Estado onde o déficit orçamentário deve passar em 10% o PIB deste ano. É o maior déficit na União Européia. O governo aumentou os impostos, anunciou planos de cortes dos funcionários públicos, e introduziu taxas no setores de saúde e de ensino, para a maioria dos estudantes universitários. Até o surgimento do escândalo neste final de semana, Gyurcsany, de 45 anos, era o "menino prodígio" do partido Socialista - um líder carismático e jovem, que prometia liderar a nação em direção a prosperidade enquanto país membro da União Européia. Sua coalizão com a Aliança dos Democratas Livres em abril se tronou o primeiro governo a ser reeleito desde o retorno à democracia em 1990. A violência começou após um protesto pacífico fora do parlamento na tarde de sábado, com milhares de pessoas presentes, quando uma gravação feita em maio vazou para a mídia local. Na gravação, Gyurcsany admitiu ter mentido repetidamente ao país sobre a verdadeira situação da economia para ganhar as eleições de abril.

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