Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Após visita de Trump, Parlamento do Iraque exige saída de tropas dos EUA

Os EUA retiraram suas tropas do Iraque em 2011 após a invasão de 2003; no entanto, retornaram em 2014 a convite do governo iraquiano como apoio para combater o Estado Islâmico

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 18h51

BAGDÁ - Parlamentares iraquianos exigiram nesta quinta-feira, 27, que militares americanos deixem o país após a visita surpresa do presidente dos EUA, Donald Trump, no dia anterior. Para eles, a visita foi arrogante e violou a soberania iraquiana. Políticos de todos os blocos de um dividido Parlamento pediram uma votação para expulsar as tropas americanas e devem fazer uma sessão extraordinária sobre o tema.

Trump visitou soldados americanos em solo iraquiano na quarta-feira e deveria ter tido uma reunião com o primeiro-ministro, Adel Abdul Mahdi, o que não aconteceu devido a um desentendimento sobre o local. 

Sabah al Saadi, líder do bloco parlamentar Islah, pediu uma sessão de emergência do Parlamento. Segundo ele, os políticos de seu país devem “deter” as ações “agressivas” de Trump que, para ele, deveria conhecer seus limites. “A ocupação dos EUA no Iraque acabou”, disse.

O bloco Bina, rival do Islah no Parlamento e comandado pelo líder miliciano Hadi al-Amiri, apoiado pelo Irã, também se opôs à viagem de Trump ao Iraque. “A visita de Trump é uma violação flagrante e clara das normas diplomáticas e mostra seu desdém e hostilidade no trato com o governo do Iraque”, afirmou um comunicado do Bina.

O gabinete de Abdul Mahdi informou que as autoridades dos EUA comunicaram à liderança iraquiana sobre a visita presidencial com antecedência. O comunicado explica que o premiê iraquiano e o presidente americano conversaram por telefone e não se encontraram pessoalmente devido a um “desentendimento sobre como realizar a reunião”.

Parlamentares iraquianos disseram à agência Reuters que os dois não concordaram com o local onde o encontro planejado deveria ocorrer – Trump pediu que fosse na base militar de Ain al-Asad, proposta que Abdul Mahdi recusou. 

Estado Islâmico

Embora não tenha mais havido episódios de violência em grande escala no Iraque desde que o Estado Islâmico sofreu uma série de derrotas no ano passado, cerca de 5,2 mil tropas dos EUA treinam e aconselham forças iraquianas ainda envolvidas em uma campanha contra o grupo militante. 

Os EUA retiraram suas tropas do Iraque em 2011 após a invasão de 2003 sob o governo de George W. Bush. No entanto, elas retornaram em 2014 a convite do governo iraquiano como apoio para combater o Estado Islâmico. Mas após militantes desse grupo terrorista serem expulsos, políticos e milicianos têm defendido o fim da presença americana no país. A contenção da influência estrangeira se tornou uma questão crucial este ano após partidários do clérigo populista Moqtada al-Sadr conquistarem a maior parcela de votos nas eleições de maio. 

A visita ocorreu menos de uma semana depois de Trump determinar a retirada dos soldados americanos da Síria e causar uma revolta interna no seu governo que levou ao pedido de demissão do seu secretário de Defesa, James Mattis. Trump defendeu a manutenção das tropas no país caso seja necessário agir na Síria. / REUTERS e EFE 

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