Juan Carlos Torrejón/EFE
Juan Carlos Torrejón/EFE

Protestos na Bolívia após vitória de Evo deixam 29 feridos e 57 presos

Candidato opositor, Carlos Mesa, acusou presidente de fraudar a votação e pediu que a população siga protestando

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 14h54
Atualizado 26 de outubro de 2019 | 22h57

LA PAZ - Milhares de pessoas tomaram as ruas de La Paz e outras cidades da Bolívia para protestar contra o resultado da eleição presidencial, que deu a vitória em primeiro turno ao presidente Evo Morales em meio a suspeitas de irregularidades. O candidato opositor, Carlos Mesa, acusou Evo de fraudar a votação e pediu que a população siga protestando. Ao menos 29 pessoas ficaram feridas e 57 foram presas. 

Segundo os resultados oficiais do Tribunal Supremo Eleitoral, Evo teve 47,8% dos votos e Mesa, 36,51%.  A Organização dos Estados Americanos (OEA), que observou a votação, pediu a realização do segundo turno para dar credibilidade ao processo eleitoral

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O resultado definitivo somente foi divulgado na tarde desta sexta-feira, após o órgão eleitoral do país ter encerrado a apuração oficial. Ainda faltava a apuração de 0,01% dos votos, que foram computados integralmente a favor de Morales. A diferença de mais de dez pontos porcentuais é suficiente ao mandatário para vencer o pleito ainda no primeiro turno, já que a constituição eleitoral boliviana prevê que o vencedor deve obter o mínimo de 10% de vantagem, caso não consiga mais de 50% dos votos válidos. 

Depois da votação de domingo, a transmissão de dados foi interrompida por 24 horas, o que motivou as suspeitas de irregularidades. Na volta, Evo tinha aumentado sua vantagem sobre Mesa.

Em La Paz, manifestantes se reuniram diante do TSE. Na cidade vizinha de El Alto, centenas de pessoas bloquearam estradas. 

Na província de Santa Cruz, tradicional reduto da oposição a Evo, uma greve contra o resultado da eleição entrou no terceiro dia, com confrontos esporádicos entre manifestantes contrários a Evo e partidários do presidente. 

Houve protestos favoráveis ao governo, ainda que em menor escala. 

Na noite de ontem, Evo defendeu a vitória, que considerou constitucional, em meio às denúncias de fraude feitas pela oposição.

O presidente ainda acusou a oposição de "desconhecer o voto indígena e questionou se é crime ganhar. / AP e EFE

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