CLAUDIO CRUZ / AFP
CLAUDIO CRUZ / AFP

Após vitória do MAS na Bolívia, Evo pede soltura de juízes eleitorais presos em 2019

Ex-presidente declarou, nesta quinta-feira, 22, que não houve fraude na última eleição que saiu vitorioso e afirmou que autoridades são vítimas de perseguição da OEA e do golpe de Estado

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 14h12

Após a vitória de seu partido nas eleições presidenciais bolivianas, o ex-presidente do país, Evo Morales, pediu que juízes eleitorais presos após o pleito de 2019 sejam postos em liberdade. Em suas redes sociais, nesta quinta-feira, 22, Evo afirmou que não houve fraude na eleição do ano passado - da qual saiu vencedor - e que os juízes seriam vítimas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do que classificou como golpe de Estado.

As eleições de 2019 na Bolívia foram marcadas por polêmicas desde antes do dia da votação. Evo, então em seu terceiro mandato, realizou uma série de manobras no parlamento para viabilizar um quarto mandato consecutivo. O pleito, que apontou vitória do líder do MAS, foi contestado pela oposição e por organizações internacionais como a OEA, que questionaram mudanças de última hora na divulgação da contagem dos votos.

O processo iniciou uma profunda crise na política boliviano, contida após a renúncia de Morales e a ascensão de Jeanine Áñez à presidência. Uma das "medidas de contenção de crise" foi a prisão de juízes eleitorais que teriam participado da suposta fraude.

"Depois de conhecer tantos relatórios e após os resultados eleitorais que demonstram que não houve fraude, pedimos que deixem a perseguição contra as ex-autoridades do órgão eleitoral e as ponham em liberdade. São vítimas da OEA e do golpe de Estado", escreveu Evo.

O líder boliviano também fez um comparativo com o resultado das eleições de 2019 e de 2020. Segundo o demonstrado por Evo, a superioridade obtida pelo partido nas eleições de 2020 deixam claro que o Movimento Ao Socialismo (MAS), seu partido, ainda conta com o apoio popular.

"Nem toda a soma dos votos que a oposição obteve nas eleições da Bolívia em 2020 superam os 54,4% da votação alcançada pelo MAS-IPSP. Apoio inquestionável do povo boliviano", escreveu.

Sem papel no novo governo

Apesar de ver seu ex-ministro da Economia, Luis Arce, vencer o pleito realizado no último domingo, 18, uma volta de Evo à vida política boliviana ainda é incerta. O MAS tem adotado um tom moderado em meio a um cenário ainda frágil na política nacional, negando que vá estimular um retorno do ex-presidente ao governo ou mesmo ao país - Morales está exilado na Argentina desde sua renúncia.

Em entrevista à agência de notícias britânica Reuters, Luis Arce afirmou que "não há papel" em seu governo para o ex-presidente. Segundo a declaração de Arce, qualquer influência do Evo continuará limitada a posição de presidente nacional do MAS - cargo que ainda ocupa, mesmo do exílio. 

"Ele pode voltar ao país quando quiser, porque é boliviano. Mas no governo sou eu que tenho de decidir quem faz parte ou não", afirmou Arce.

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