MARVIN GENTRY|
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Após vitória esmagadora na Carolina do Sul, Hillary já põe Trump na mira

Ex-secretária de Estado derrota Bernie Sanders com votação superior à obtida pelo presidente Barack Obama entre os afro-americanos em 2008, sinalizando força nas prévias de amanhã no Sul; candidata declara que campanha ‘passa a ser nacional’

O Estado de S. Paulo

29 de fevereiro de 2016 | 07h00

ATLANTA -  A vitória por ampla margem contra Bernie Sanders na primária da Carolina do Sul, realizada no sábado, deu à campanha de Hillary Clinton em busca da candidatura do Partido Democrata à presidência dos EUA um tom de ânimo para resolver a disputa já na Superterça, série de prévias em 12 Estados que ocorrerá amanhã. 

“Essa campanha passa a ser nacional”, afirmou a ex-secretária de Estado em seu discurso da vitória, indicando que a disputa com seu rival interno de partido está cada vez mais para trás. No mesmo evento, Hillary disse que está ansiosa para mudar seu foco de Sanders para Donald Trump. O tom foi confirmado pelo fato de os democratas lançarem, ontem, seu primeiro vídeo de campanha já contra o magnata que lidera a corrida entre os republicanos.

Sanders, por seu lado, subestimou a perda. “Em política numa determinada noite, às vezes você vence, outras perde. Esta noite nós perdemos”, disse ele a jornalistas ao sair do avião em Minnesota. Em comunicado por e-mail, o candidato afirmou: “Obtivemos uma vitória decisiva em New Hampshire. Ela teve uma vitória decisiva na Carolina do Sul”.

Hillary conseguiu 73.47% dos votos na Carolina do Sul. Em outro dado que aumentou o fôlego da candidata, sua votação entre os afro-americanos foi ainda melhor do que a obtida pelo atual presidente, Barack Obama, em 2008 no Estado – ela conseguiu 86% dos votos entre essa parcela da população. Isso não significa que a Carolina do Sul tenha sido um caso à parte. Hillary venceu entre os eleitores negros por 54 pontos no caucus de Nevada.

Com essa perspectiva, há analistas que já projetam Hillary decidindo a disputa interna amanhã. A ex-secretária de Estado provavelmente vencerá em todos os Estados com grande população negra ou parda. Sanders deve ganhar em alguns Estados, mas não todos, com população majoritariamente branca. 

Os eleitores negros serão determinantes em seis Estados sulistas na Superterça: Alabama, Arkansas, Georgia, Tennessee, Texas e Virgínia. Segundo os estrategistas de Sanders, ele pode vencer em cinco dos 12 Estados onde haverá eleição amanhã: Minnesota, Massachusetts, Vermont, Oklahoma e Colorado. As minorias constituem uma porcentagem relativamente pequena em todos eles.

O Texas, o mais importante em termos de número de delegados, revelará até onde vai o poder de atração de Sanders entre os eleitores hispânicos. Sua campanha sustenta que ele conquistou os latinos em Nevada na semana passada; a equipe de Clinton é inflexível no sentido de que as pesquisas iniciais estavam erradas. 

O caucus do Texas, onde Clinton derrotou Obama por 51% contra 47% em 2008, dirá quem está certo. Observando a dinâmica mencionada acima, muitos analistas basicamente já começaram a declarar Hillary vencedora ontem.

O apresentador do programa Meet the Press qualificou como “espetaculares” os porcentuais de Hillary. Sanders passou pouco tempo na Carolina do Sul na semana passada, mas sua campanha investiu vigorosamente no Estado, com 200 pessoas fazendo trabalho de campo, 11 comitês abertos e um gasto de US$ 1,7 milhão em anúncios de rádio e TV. Sua equipe pretendia superar as baixas expectativas, mas elas foram piores do que esperavam. Eles não conseguirão investir esses recursos em nenhum dos próximos Estados.

Jovens. O voto da juventude não foi para Sanders desta vez. Hillary conquistou o voto dos negros com idade abaixo dos 45 anos por uma margem de três para um e não havia muitos eleitores brancos com menos de 45 anos. Os eleitores com idade inferior a 30 anos formavam uma parte menor do eleitorado da Carolina do Sul, cerca de um sexto, do que nos três primeiros Estados. / COM WASHINGTON POST

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