Lindsey Parnaby / AP
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Após vitória nas eleições, Boris Johnson prepara equipe para Brexit

Premiê deve anunciar hoje sua equipe de governo com o objetivo de remover os obstáculos à saída do Reino Unido da UE; documento de divórcio deve ser apresentado a deputados nesta sexta

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2019 | 06h48
Atualizado 16 de dezembro de 2019 | 08h52

LONDRES - Vitorioso após as eleições britânicas, o primeiro-ministro Boris Johnson organiza nesta segunda-feira, 16, sua equipe de governo com o objetivo de remover os obstáculos ao Brexit.

Com uma maioria jamais vista para os conservadores desde Margaret Thatcher, o premiê deve anunciar a reorganização do seu governo, tendo como prioridade lançar o mais rápido possível as medidas para permitir a saída do Reino Unido da União Europeia no dia 31 de janeiro.

Ele deve ainda se dirigir aos 109 parlamentares conservadores recém-eleitos entre os 365 assentos conquistados por seu partido na quinta-feira para exortá-los a trabalhar e alcançar o Brexit, pelo qual 52% dos britânicos votaram em junho de 2016.

"O primeiro-ministro deixou bem claro que (...) devemos responder à confiança do público e alcançar o Brexit", disse uma fonte do governo. "É por isso que a primeira lei que os deputados votarão será o acordo para retirar o Reino Unido da União Europeia", acrescentou.

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De acordo com um porta-voz, o primeiro-ministro pretende apresentar nesta sexta-feira aos deputados o documento negociado minuciosamente com Bruxelas em meados de outubro, que deveria permitir uma separação tranquila após 47 anos de casamento.

Discurso da rainha

Antes de considerar o Brexit, a nova Câmara dos Comuns vai se reunir na terça-feira para eleger o seu presidente. Provavelmente irá reconduzir a trabalhista Lindsay Hoyle, eleita um mês antes das eleições.

Ela terá a tarefa de liderar os debates, muitas vezes animados, sobre o Brexit, assim como o fez o truculento John Bercow. Cada um dos 650 parlamentares jurará lealdade à Coroa, um processo que deve levar vários dias.

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Finalmente, Boris Johnson poderá detalhar seu programa legislativo na quinta-feira, durante o tradicional discurso lido pela rainha Elizabeth II, de 93 anos. 

Orçamento

Johnson também poderá anunciar medidas para melhorar o Serviço Nacional de Saúde (NHS), como prometeu para romper com a imagem de austeridade atribuída ao seu partido. O serviço gratuito, ao qual os britânicos são muito apegados, sofreu cortes drásticos sob os governos conservadores nos últimos 10 anos. 

Segundo uma fonte em Downing Street, o governo planeja anunciar um aumento de 33,9 milhões de libras (€ 40,6 milhões) no orçamento do NHS.

Escócia

O primeiro-ministro, por outro lado, descartou a possibilidade de oferecer à Escócia um segundo referendo sobre a independência da região, como exigido pela primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que obteve bons resultados nas eleições com seu partido SNP.

A recusa de Johnson não "encerra o caso", alertou Nicola no domingo, enfatizando que a Escócia, onde 62% da população votou em 2016 para permanecer na União Europeia, "não pode ficar trancada no Reino Unido contra sua vontade".

Uma vez que o Brexit tenha sido alcançado politicamente em 31 de janeiro, Londres e Bruxelas iniciarão duras negociações para chegar a um acordo comercial definindo suas relações após o período de transição programado até o final de 2020. / AFP

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