Após vitória, Robert Mugabe promete diálogo com a oposição

Presidente elege-se pela 6.ª vez no Zimbábue; opositores dizem que é 'difícil de crer' em intenções de Mugabe

Agências internacionais,

29 de junho de 2008 | 15h36

Depois de ganhar o segundo turno das eleições no Zimbábue, o presidente Robert Mugabe prometeu um "sério diálogo" com a oposição neste domingo, 29. O pleito de apenas um candidato, duramente criticado pela comunidade internacional, rendeu a Mugabe o sexto mandato. Morgan Tsvangirai, líder do opositor Movimento Democrático para Mudança (MDC) boicotou a eleição devido à violência sofrida por seus partidários.   Veja também: Após posse, Canadá impõe sanções ao Zimbábue UE ameaça punir responsáveis por crise no Zimbábue Baixa participação e denúncias marcam eleições Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe: uma história de 3 décadas no poder   Logo após o anúncio de Mugabe, a oposição zimbabuana respondeu que é "muito difícil acreditar nas intenções do presidente". De acordo com os resultados oficiais, Mugabe obteve 2.150.269 votos, contra 233.000 de Tsvangirai e 131.481 inválidos.   O presidente zimbabuano desafiou um coro de pedidos para que cancelasse a eleição e negociasse com Tsvangirai, que derrotou Mugabe e seu partido Zanu-PF no primeiro turno de 29 de março porém sem vantagem suficiente, o que exigiu a realização do segundo turno na sexta-feira.   Observadores independentes disseram que muitos dos que votaram foram às urnas por medo e que milhares de pessoas invalidaram seus votos ao danificar as cédulas eleitorais ou marcá-las de forma errada.   Posse   A cerimônia de posse, realizada neste domingo, confirma o novo mandato de cinco anos de Mugabe. Tsvangirai foi convidado para a cerimônia em um "gesto de boa-vontade", mas disse que o convite era "inútil". "Como o partido pode dar sua bênção a algo que ele rejeitou?", perguntou um porta-voz da oposição.   Mesmo assim, seu nome continuava constando das cédulas eleitorais na votação de sexta-feira, porque as autoridades eleitorais do Zimbábue se recusaram a aceitar sua decisão.   Repercussão   O correspondente da BBC em Johannesburgo, Peter Biles, disse que assim que Mugabe assumir o novo mandato, ele deve voar para o Egito, onde participa de uma reunião da União Africana, que começa nesta segunda-feira. De acordo com analistas, a reação dos vizinhos do Zimbábue no sul da África será crucial.   Arte/Portal O ex-arcebispo da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, fez um apelo para que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue e utilize a força, se necessário.   Tutu afirmou que apoiaria o envio de uma tropa da Organização das Nações Unidas (ONU) para restaurar a paz no país. Em uma entrevista à BBC, Tutu também disse que os líderes da União Africana deveriam se recusar a reconhecer Robert Mugabe como o presidente legítimo do Zimbábue.   "Se você tivesse uma voz unânime, dizendo claramente a Mugabe, 'você é ilegítimo e nós não vamos reconhecer sua administração de nenhuma forma', acho que seria um sinal muito poderoso e fortaleceria bastante a comunidade internacional."   Críticas   No sábado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que vai pressionar para que a ONU tome medidas severas contra o que ele chamou de governo "ilegítimo" do Zimbábue. Bush afirmou que quer uma proibição à exportação de armas para o país e a proibição de viagens para autoridades do governo do Zimbábue.    A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, pediu neste domingo que a China e outras potências mundiais tomem medidas contra o Zimbábue, ao passo que o ministro das Relações Exteriores chinês não se comprometeu com possíveis sanções autorizadas pela ONU.   "Agora é o momento da comunidade internacional agir fortemente, mas estamos fazendo consultas sobre as medidas que podem ser tomadas", disse Rice a repórteres depois de reunião com o ministro das Relações Exteriores da China, Yabg Jiechi. "Faz sentido negar ao governo do Zimbábue os meios para promover a violência contra seu próprio povo", acrescentou.   Como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto às decisões do órgão, e parceira de longa data do governo cada vez mais isolado de Mugabe, a China pode ter um papel importante na formação de uma resposta internacional aos eventos do Zimbábue.    Pressão africana   Ainda neste domingo, o Parlamento Pan-africano (PPA) denunciou que o segundo turno das eleições não foi justo e pediu um novo pleito. "A atmosfera que prevalece no país não se permite uma eleição livre ou justa", declarou o chefe da missão do PPA, Marwick Khumalo, em Harare. "Temos que reunir o mais rápido possível condições para celebrar eleições livres, justas e com credibilidade."     (Com Reuters, AP e BBC Brasil)  

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