Aposta de Bibi para ganhar espaço sai pela culatra

Análise: Joel Greenberg / W. Post

O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2013 | 02h01

Quando o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu convocou eleições antecipadas, em outubro, esperava sair com um mandato popular reforçado para outro período no cargo. Para cimentar uma vitória sólida, ele formou uma chapa de coalizão combinando candidatos parlamentares de seu partido de direita Likud com a facção ultranacionalista Yisrael Beiteinu, chefiada pelo ex-chanceler Avigdor Lieberman.

Nem tudo saiu como o esperado e ele pode terminar com uma coalizão mais linha dura do que a que ele liderava, o que o deixaria com menos margem de manobra. Muitos eleitores conservadores parecem ter se bandeado para um partido nacionalista religioso em ascensão, o Bayit Yehudi (Lar Judaico), liderado por um candidato jovem e dinâmico, Naftali Bennett, que ocultou sua plataforma de extrema direita.

As primárias do Likud, em novembro, alçaram membros ardorosamente direitistas e linha dura a altas posições na chapa do partido, derrubando figuras mais moderadas, como os ministros do gabinete, Dan Meridor e Binyamin Begin, para postos onde eles não poderão manter assentos no Parlamento.

"Netanyahu está à frente de uma chapa que ele não controla", escreveu Nahum Barnea, um influente colunista do jornal de grande circulação Yediot Ahronot. "Metade dela é controlada por Lieberman. A outra metade é controlada por grupos políticos, alguns dos quais fazem parte da facção de colonos extremistas." Muitos em posição elevada na chapa do Likud apoiam a anexação de toda ou parte da Cisjordânia a Israel e são firmes defensores da construção de assentamentos ali e em Jerusalém Oriental. A oposição a um Estado palestino entre os favorecidos na lista do Likud, contradizendo o compromisso público de Netanyahu de uma solução de dois Estados, impediu a publicação de uma plataforma do partido antes da eleição.

Bennett, um provável parceiro de coalizão de Netanyahu, é abertamente contrário a um Estado palestino e defende a anexação da maior parte da Cisjordânia, concedendo aos palestinos um autogoverno limitado no restante da região.

Limitação. Essas posições limitariam severamente as opções de Netanyahu se após a eleição ele for instigado por Washington e nações europeias a fazer novos esforços de paz com os palestinos. Dependente de uma coalizão empurrada mais para a direita, Netanyahu poderia aumentar a construção de assentamentos e rejeitar medidas capazes de promover uma retomada das negociações, arriscando-se a um maior isolamento internacional.

Danny Danon, um parlamentar do Likud que ficou em quinto lugar nas primárias partidárias e agora está em nono na chapa conjunta, é uma figura proeminente na direita linha dura do Likud. "Dissemos claramente que somos contra um Estado palestino. Vejam o que está ocorrendo em Gaza. Não queremos um Estado da Al-Qaeda em nosso quintal."

Mas Netanyahu, que no governo de saída se posicionou entre aliados da coalizão à sua direita e sua esquerda, pode tentar formar uma coalizão mais centrista que possa aliviar as tensões com Washington e melhorar a posição internacional de Israel.

Analistas dizem que Netanyahu pode trazer Yair Lapid, líder do novo partido centrista Yesh Atid, que fez campanha pelo fim das isenções do serviço militar para judeus ultraortodoxos e aliviar o custo de vida da classe média financeiramente arrochada de Israel. Netanyahu também pode convidar Tzipi Livni, ex-chanceler que fez campanha pela retomada das negociações com os palestinos.

Uma coalizão com os centristas pode deixar Netanyahu com uma pequena maioria parlamentar, mas menos dependente de partidos de extrema direita e ultraortodoxos para governar. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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