Screenshot from https://labs.strava.com/heatmap
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Aplicativo de condicionamento físico revela detalhes de bases militares dos EUA e seus aliados

Mapa de calor publicado pelo app Strava na internet usa dados de satélite de 27 milhões de usuários para indicar locais no mundo com registro de atividade física, incluindo bases militares - conhecidas ou não - em locais como Afeganistão, Síria e Iraque

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2018 | 11h16

WASHINGTON - Um mapa que mostra rotas utilizadas por usuários de um aplicativo de condicionamento físico revela informações potencialmente sensíveis sobre militares dos Estados Unidos e de seus aliados em lugares como Afeganistão, Síria e Iraque.

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O Global Heat Map, publicado como um projeto de análise de dados pela empresa Strava, usa informações de satélite para formar um mapa com a localização e a movimentação do usuários 27 milhões de usuários entre 2015 e 2017.

Os locais com mais registros de atividades são os EUA e a Europa, onde milhões de pessoas usam dispositivos inteligentes que gravam suas atividades físicas - no Brasil, estes dados aparecem principalmente nas regiões sul e sudeste e na porção costeira do nordeste.

Em zonas de guerra e em áreas desérticas de países como Iraque e Síria, este mapa de calor praticamente desaparece, com exceção para pontos específicos que coincidem com bases militares usadas por soldados dos EUA e de seus aliados - nem todas essas bases, porém, são de conhecimento público.

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No Iraque, por exemplo, o registro de movimentação é intenso em locais onde estão estacionadas forças da coalizão anti-jihadistas liderada pelos EUA. Isso pode ser observado em Taji, ao norte de Bagdá; Qayyarah, ao sul de Mossul; Speicher, perto de Tikrit; e Al-Asad, na província de Anbar. Outras localizações menores, no norte e no oeste do país, também aparecem no mapa, indicando a presença de instalações menos conhecidas.

O mesmo ocorre no Afeganistão, onde a base aérea de Bagram, ao norte de Cabul, e várias outras localizações ao sul do país estão repletas de registros de atividades. E também na Síria, em Qamishli, no noroeste, um dos principais enclaves das forças curdas - aliadas do EUA.

Tobias Schneider, um analista de segurança que está entre as pessoas que descobriram que o mapa mostrava bases militares, destacou que também há atividades em instalações militares na Síria ou, por exemplo, na base Madama, que as forças francesas usam no Níger.

Consultado, o Departamento de Defesa dos EUA (DoD, na sigla em inglês) afirmou que estava "revisando" a situação. "Informação recente enfatiza a necessidade de estar ciente da localização quando o pessoal militar compartilhar informações pessoais", disse a major Audricia Harris, uma porta-voz do Pentágono.

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"O DoD leva muito a sério questões como esta e está revisando a situação para determinar se são necessários guias ou políticas adicionais para garantir a segurança dos funcionários de defesa no país ou no exterior", completou Audricia. O Pentágono recomenda a seus funcionários que "limitem os perfis públicos na internet, incluindo contas pessoas nas redes sociais", concluiu a major. 

Ao jornal The Washington Post, o Comando Central de Imprensa da coalizão americana que combate o EI no Oriente Médio afirmou que está revisando o uso de dispositivos sem fio em instalações militares após a revelação destes dados. "O rápido de desenvolvimento de novas e inovadoras tecnologias da informação melhora nossa qualidade de vida, mas também representa desafios potenciais para a segurança operacional e proteção das nossas forças."

Em nota, a Strava afirmou que está "comprometida a trabalhar com militares e funcionários do governo dos EUA para resolver questões sobre áreas sensíveis exibidas no mapa". Em um comunicado anterior, a empresa havia afirmado que os usuários deveriam checar suas configurações de privavidade e forneceu instruções de como fazer alterações neste sentido. / AFP e WASHINGTON POST

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