Anthony Wallace / AFP
Anthony Wallace / AFP

Apple bloqueia aplicativo utilizado por manifestantes em Hong Kong

Ferramenta ajudava os participantes dos protestos a localizar a polícia; decisão foi tomada após imprensa chinesa acusar empresa americana de apoiar movimentos pró-democracia

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2019 | 04h37
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 09h55

HONG KONG (CHINA) - A Apple retirou do ar nesta quinta-feira, 10, o aplicativo HongKongmap.live, utilizado por manifestantes em Hong Kong para localizar a polícia. O bloqueio aconteceu um dia após um jornal estatal chinês acusar a companhia americana de apoiar os protestos pró-democracia.

De acordo com os criadores do aplicativo, a Apple enviou um comunicado que o HongKongmap.live "colocava em risco a manutenção da ordem e os habitantes de Hong Kong".

"O aplicativo mostra a posição da polícia e verificamos com o escritório de cibersegurança e luta contra a criminalidade tecnológica de Hong Kong que ele estava sendo usado para encontrar a polícia e organizar emboscadas, ameaçando a segurança pública, e que foi utilizado por criminosos para prejudicar habitantes de zonas nas quais não haviam forças policiais", indicou a Apple, segundo os desenvolvedores do aplicativo.

Jornal critica Apple

Na quarta-feira, 9, o jornal estatal chinês Diário do Povo acusou a Apple de apoiar os manifestantes. "A Apple deve pensar nas consequências desta decisão imprudente e insensata", advertiu a publicação. O aplicativo também está disponível nas plataformas Android.

"A Apple tem a intenção de ser cúmplice dos agitadores?", questionou um editorial do jornal.

Com os desafios financeiros na China continental, a empresa americana opta pela abstenção a respeito de temas considerados sensíveis e tende a ceder às demandas de Pequim, retirando aplicativos considerados inapropriados no país.

Para lembrar

A ex-colônia britânica é cenário há quatro meses de uma crise política sem precedentes desde sua devolução à China, em 1997, com manifestações quase diárias para exigir mais liberdades e denunciar as crescentes interferências de Pequim nas questões da região semiautônoma.

A mobilização resultou em confrontos violentos e recorrentes entre as forças de segurança e manifestantes radicais, assim como em diversos atos de vandalismo contra empresas acusadas de apoiar Pequim. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:
China [Ásia]AppleHong Kongprotesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.