Apreensão de mísseis complica relação entre EUA e Coréia do Norte

A apreensão e subseqüente liberação de um carregamento de mísseis da Coréia do Norte para o Iêmen pode ter marginalizado ainda mais a isolada ditadura em Pyongyang, comprometendo esforços dos EUA para pressionar o regime a acabar com seu programa de armas nucleares, disseram especialistas. A Coréia do Norte anunciou hoje que estava reativando uma usina nuclear que havia sido paralisada por um acordo de 1994 com os Estados Unidos. Autoridades americanas acreditam que a instalação estava sendo usada para desenvolver armas. O anúncio seguiu-se ao incidente desta semana no Mar da Arábia, que especialistas sobre Coréia do Norte dizem poder levar a nação a acelerar seu programa de armas nucleares. Os EUA nunca haviam antes tentado publicamente interceptar um carregamento de mísseis norte-coreanos. "Isso mina nossos objetivos", disse Lee Feinstein, um ex-funcionário do Departamento de Estado na administração Clinton. "A vitória escorregou por entre nossos dedos. É difícil rastrear esses carregamentos de mísseis e, quando temos um grande sucesso, temos de deixar o navio ir embora". A Coréia do Norte pode interpretar a ação como um sinal de que os EUA abandonaram medidas diplomáticas em favor de táticas mais duras, considerou Daniel Pinkston, um especialista em Coréias no Instituto de Estudos Internacionais de Monterey. "Isso pode fortalecer os linhas-duras e permitir-lhes dizer: ´Olhem, dissemos a vocês que não podemos negociar com os americanos. A única forma de lidar com a situação é nos fortalecendo militarmente, e precisamos de armas nucleares para conter os Estados Unidos´ ", disse Pinkston. A Coréia do Norte deixou autoridades dos EUA perplexas em outubro, ao admitir que estava desenvolvendo um programa secreto de enriquecimento de urânio para fazer armas nucleares. O programa viola um pacto de 1994, pelo qual Pyongyang aceitou congelar seu programa de armas atômicas em troca de dois reatores nucleares civis e a entrega de petróleo. Um porta-voz do Ministério do Exterior da Coréia do Norte argumentou hoje que a usina nuclear fechada em 1994 estava sendo reativada devido à decisão americana de suspender as entregas de petróleo. A administração Bush afirma querer resolver o problema diplomaticamente, com o envolvimento da Coréia do Sul, Japão, China, Rússia e a União Européia. Mas a Casa Branca também insiste em que a Coréia do Norte tem de concordar, como condição prévia, em suspender seu programa nuclear - algo que Pyongyang afirma que não fará. Ao interceptar o carregamento de 15 mísseis Scud norte-coreanos, a administração Bush aparentemente tentou aumentar a pressão sobre Pyongyang, diz Joel Wit, que ajudou a negociar o acordo de 1994 como uma autoridade do Departamento de Estado. "Fizemos alguns esforços para suspender esses carregamentos, mas nada como interceptar um navio em alto mar", disse Wit. "Estou certo de que a administração está fazendo um monte de coisas para angariar apoio internacional contra o enriquecimento de urânio da Coréia do Norte. Outra coisa que você pode fazer é afastar a Coréia do Norte dos compradores de suas armas em outros países". O secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld acredita que a Coréia do Norte já tem uma ou duas bombas nucleares, e chama o regime comunista de o maior proliferador de mísseis e de tecnologia de mísseis. Além do Iêmen, a Coréia do Norte tem vendido mísseis para a Líbia, Irã, Síria, Paquistão e Egito. Alguns críticos dizem que o comprometimento público da administração Bush com uma solução diplomática na Coréia do Norte - um país rotulado como parte de um "eixo do mal", ao lado do Iraque e Irã - contradiz sua política de ameaçar o presidente iraquiano, Saddam Hussein, com o uso da força, caso não entregue suas armas de destruição em massa.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2002 | 15h44

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