Apresentada mulher que teve 80% do rosto transplantado

Certa vez, quando Connie Culp ouviu uma criança chamá-la de monstro por causa do tiro de espingarda que havia desfigurado seu rosto, ela sacou uma carteira de motorista e mostrou ao garoto como ela era antes do incidente. Agora, depois de se tornar a primeira norte-americana a passar por pelo mais complexo transplante facial já realizado, ela veio a público hoje para mostrar ao mundo como ficou. Connie foi submetida a 30 cirurgias até que, em 10 de dezembro do ano passado, depois de 22 horas numa mesa de operações, a doutora Maria Siemionow e sua equipe substituíram 80% dos ossos, músculos, nervos, pele e vasos sanguíneos do rosto de Connie pelo de uma mulher que acabara de morrer. "Aqui estou eu, cinco anos depois", comemorou

AE-AP, Agencia Estado

06 de maio de 2009 | 21h03

Sua expressão facial ainda não é a de antes, mas ela agora é capaz de fazer coisas que não pôde fazer durante anos, como falar e sorrir. Ela também voltou a sentir o cheiro e o gosto das coisas. As marcas da cirurgia ainda são visíveis em sua pele, mas os médicos pretendem fazer com que as deformações ainda existentes se desfaçam à medida que sua circulação melhore e os nervos se desenvolvam, o que fará com que seus novos músculos voltem a se mover.

Na entrevista coletiva concedida hoje na Clínica Cleveland, onde foi realizado o transplante, no fim do ano passado, Connie Culp não poupou elogios aos médicos responsáveis pela cirurgia. Este foi apenas o quarto transplante facial realizado no mundo.

"Acho que sou eu quem vocês vieram ver hoje", disse ela aos jornalistas. "Acho mais importante vocês concentrarem o foco na família de quem doou o rosto." Até hoje, a identidade da transplantada e a forma como ela ficou desfigurada eram informações mantidas em segredo. Também não foram divulgadas informações sobre a doadora, mas a médica responsável pelo transplante disse que os familiares dela ficaram comovidos com as fotografias de Connie antes e depois da cirurgia.

Em 2004, o marido de Connie, Thomas, atirou nela e depois tentou se suicidar. Ele sobreviveu e foi condenado a sete anos de prisão. Connie ficou entre a vida e a morte. Dois meses depois do incidente, o cirurgião plástico Risal Djohan viu pela primeira vez os ferimentos que desfiguraram Connie. "Ele me disse que não sabia se conseguiria consertar o estrago, mas iria tentar", recorda ela.

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