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Apresentador chavista sai do ar após escândalo

Alegando 'problemas médicos', jornalista que supostamente aparece em áudio falando sobre planos de golpe de Estado diz adeus ao público

O Estado de S. Paulo,

21 de maio de 2013 | 18h07

CARACAS - O apresentador da TV estatal venezuelana que supostamente aparece em uma gravação de áudio revelando divisões dentro do chavismo - e mesmo planos de golpe contra o presidente Nicolás Maduro - anunciou nesta terça-feira, 21, que sairá do ar por tempo indeterminado. Mario Silva, que foi amigo pessoal e aliado de longa data de Hugo Chávez, despediu-se em mensagem gravada alegando problemas de saúde.

O jornalista, entretanto, não negou que a voz na gravação é a sua. Silva culpou "o sionismo e a CIA" pela "falsificação", que, segundo sugeriu, poderia ter sido feita usando trechos de seus programas. "É um crime da ultradireita contra o povo venezuelano", disse.

A oposição da Venezuela revelou, na segunda-feira, o áudio da suposta conversa do apresentador com Aramis Palacios, identificado como um agente do alto escalão da espionagem cubana. Na gravação, Silva detalha divisões internas do chavismo, incluindo as ambições do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, de controlar o poder e planos do ministro da Defesa, almirante Diego Molero, para derrubar Maduro - identificado em um momento como "Maburro".

"Se tiver de me imolar em nome da revolução, o farei. Meu apoio é irrestrito às instituições e ao presidente Maduro", disse o apresentador. Em seguida, avisou que se ausentaria em razão de problemas de saúde.

Nesta terça-feira, o chefe da organização responsável pelo planejamento estratégico das Forças Armadas veio à público negar qualquer possibilidade de golpe de Estado. O general Wilmer Barrientos garantiu não haver "nenhum ponto de ruptura" entre os militares que ameace a "ordem democrática".

Horas depois da divulgação do áudio, na segunda-feira, o presidente Maduro apareceu na TV estatal venezuelana reunido com a cúpula das Forças Armadas. No encontro, estava o ministro da Defesa, identificado na gravação como o articulador de um complô para derrubar o herdeiro de Chávez.

Cabello, acusado de corrupção e de conspirar contra Maduro, atacou o "show midiático" da oposição venezuelana e exortou chavistas a manterem a união. Apesar dos fortes rumores desde a morte de Chávez, em março, a divulgação do áudio seria a primeira prova objetiva das profundas divisões internas do bloco chavista, que há 14 anos comanda a Venezuela.

"A única maneira de nos livrarmos de Diosdado (Cabello) é demonstrando que ele é corrupto e corrompe tudo, e apresentando provas de que (Chávez) sabia disso", afirma a voz atribuída a Silva na gravação. O áudio foi apresentado a jornalistas pelo deputado Ismael Garcia e, segundo ele, seria originalmente entregue ao presidente de Cuba, Raúl Castro.

Silva apresentava havia nove anos o programa noturno La Hojilla (a lâmina) na estatal Televisión de Venezuela (VTV). Ele é um dos fundadores do Partido Socialista Unido da Venezuela, de Chávez. / REUTERS

 
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