Andy Wong / AP
Andy Wong / AP

Apresentador de TV é investigado por criticar Mao Tse tung na China

Um vídeo caseiro satírico mostra Bi Fujian entoando uma canção da década de 1940 sobre os soldados enfrentando bandidos

O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 14h45

A televisão estatal chinesa está investigando um de seus apresentadores após o vazamento de um vídeo em que ele critica o líder comunista Mao Tsé tung, reabrindo o debate sobre liberdade de expressão e sobre figura do pai da China moderna.

Segundo a estatal, o apresentador Bi Fujian deve enfrentar uma dura investigação, uma vez que suas piadas tiveram "severo impacto social".

Um vídeo caseiro mostra Bi entoando uma canção da década de 1940 sobre os soldados enfrentando bandidos. Entre os versos, o apresentador fazia comentários como o de que Mao Tsé-tung "nos arruinou", gerando risadas entre os presentes.

É oficialmente proibido fazer críticas a Mao Tsé-tung no país. Embora alguns chineses acreditem que ele deveria ser responsabilizado por períodos desastrosos como a fome do final da década de 1950 e pelo caos que se seguiu à Revolução Cultural de 1966, o partido ainda reluta em distanciar-se da figura do líder revolucionário. Uma pequena parte da população ainda venera Mao e muitos chineses continuam fiéis à sua ideologia.

"Todos são vítimas de Mao, mas ninguém ousa dizê-lo", disse Zhang Lifan, um historiador e analista independente baseado em Pequim. "Em ambientes privados, mesmo autoridades graduadas do partido não se mostram simpáticas a ele. Este sistema político dá margem para duplicidade e esquizofrenia".

A mídia estatal, entretanto, fez duras críticas ao apresentador, dizendo que seus comentários, mesmo sendo feitos em particular, são impróprios para uma figura pública.

"É extremamente impróprio para o status de Bi que tais palavras duras contra o líder do povo chinês tenham saído de sua boca", escreveu um membro do Partido Comunista no diário Youth Daily. / AP

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaMao Tsé-Tung

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.