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Apresentador de TV será punido por insultar Mao Tsé-tung

Bi Fujian, uma das figuras mais conhecidas dos chineses, foi flagrado em vídeo fazendo comentários depreciativos sobre o fundador da República Popular da China

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 04h00

Bi Fujian, um dos mais conhecidos apresentadores de televisão na China, enfrentará “severa punição” após ser flagrado em uma filmagem insultando o fundador da República Popular da China, Mao Tsé-tung. Como apresentador do programa Star Boulevard – um show de variedades similar ao britânico Got Talent – Fujian é um dos funcionários mais famosos da TV estatal CCTV, onde trabalha desde 1989.

No entanto, o futuro de Fujian, de 56 anos, no canal vem sendo questionado desde que em um jantar privado ele fez comentários depreciativos sobre o homem que governou a China de 1949 até sua morte, em 1976. A CCTV não fez comentários sobre o caso.

O vídeo de abril, que foi visto 480 mil vezes no YouTube antes de ser retirado pelos censores, mostra Fujian entretendo os convidados com uma versão de uma canção revolucionária. Entre as estrofes ele faz vários comentários sarcásticos sobre Mao, entre eles: “Não mencione esse velho filho da p... – ele nos atormentou”.

Essas declarações “depreciativas” representam “uma séria violação da política de disciplinas”, anunciou o órgão responsável por controlar a mídia na China. Ele ordenou à CCTV, que já suspendeu o apresentador, que imponha “uma severa punição”.

Em um editorial, o Diário de Inspeção de Disciplina, um jornal estatal, disse que a CCTV recebeu ordens para “educar toda sua equipe” para “combater comportamentos que violam as disciplinas políticas”. “Será tolerância zero para esses casos”,acrescentou o jornal.

A notícia da punição de Fujian foi manchete de vários sites chineses, com leitores discutindo sobre o episódio em seus comentários. “É realmente patético e desagradável que após todas essas décadas Mao ainda seja um tabu”, escreveu um internauta. “Bi deveria ser seriamente punido e expulso do partido por insultar Mao”, comentou outra pessoa.

Fujian já pediu desculpas por insultar Mao. “Sinto-me profundamente arrependido e sentido”, escreveu em um post online em abril. “Ofereço minhas mais sinceras desculpas ao público”, acrescentou.

Apesar de as políticas de Mao terem sido criticadas oficialmente, o Partido Comunista não pode denunciá-lo, pois construiu grande parte de sua legitimidade com as imagens que cercam o líder revolucionário. 

O episódio conincide com a severa política adotada por Xi Jinping, que assumiu a presidência em 2013. Acadêmicos, ativistas dos direitos humanos, advogados e jornalistas reclamam de uma crescente intolerância com qualquer crítica pública sobre algum dos líderes do Partido Comunista da China. / AP

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