Aprovação de bispo gay ameaça dividir Igreja Anglicana

Anglicanos de várias partes do mundo reagiram com indignação nesta quarta-feira à aprovação da Igreja Episcopal dos EUA à indicação de um bispo gay, enquanto o máximo líder anglicano, o arcebispo de Canterbury, tentava evitar uma cisão na comunidade, da qual os episcopalianos americanos fazem parte. O arcebispo Rowan Williams disse que a aprovação do reverendo V. Gene Robinson na terça-feira como bispo de New Hampshire irá ter inevitavelmente ?um impacto significativo? na Comunidade Anglicana, mas que ainda é muito cedo para avaliar a profundidade desse impacto.A confirmação de Robinson ameaça abrir um doloroso corte dividindo os anglicanos, particularmente entre os líderes mais conservadores da comunidade na Ásia e na África e o clero mais liberais nos países mais ricos do Ocidente. A Igreja Episcopal, com 2,3 milhões de membros, é o ramo americano da comunidade global de 77 milhões de fiéis anglicanos. Líderes eclesiásticos na Ásia e na África condenaram a decisão tomada nos EUA a ameaçaram deixar a comunidade, alegando que a homossexualidade é contra as Escrituras e inaceitável. A Igreja Episcopal ?está se alienando da Comunidade Anglicana?, disse o reverendo Peter Karanja, prefeito da Catedral de Todos os Santos em Nairóbi, no Quênia. ?Não podemos estar na companhia daqueles que violaram explicitamente as Escrituras... Aconselhamos que eles reconsiderem sua decisão?, acrescentou. Em Uganda, o porta-voz da Igreja Anglicana, reverendo Jackson Turyagyenda, disse que sua igreja está ?muito desapontada?. ?A prática da homossexualidade não é aceita nem cultural nem legalmente aqui?, disse o bispo Lim Cheg Ean, líder da Igreja Anglicana na Malásia Ocidental. Ele disse que os bispos da comunidade anglicana do lado continental da Malásia poderá discutir o rompimento de laços com a igreja americana na próxima semana.Embora Williams, seu máximo chefe, tenha lançado na Inglaterra o pedido para que ninguém aja precipitadamente, bispos conservadores dos EUA e de outros continentes que representam milhões de paroquianos têm dito que considerarão o rompimento com a Igreja Episcopal caso a aprovação de Robinson não seja revogada.

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