Aprovação de Cristina cai 1 ano após eleição

Há 12 meses, líder obteve 54,11% dos votos; problemas fizeram sua popularidade baixar a 37%

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2012 | 03h06

A presidente Cristina Kirchner completou ontem um ano de sua reeleição presidencial sem motivos para celebrar. Na contramão do clima de euforia de 12 meses atrás, quando obteve 54,11% dos votos úteis nas urnas, ela tem atualmente 37% de aprovação popular, segundo uma pesquisa da consultoria Poliarquia. Outro relatório, da consultoria Carlos Fara e Associados, indica que Cristina conta com apenas 33% de aprovação.

Por trás da queda de Cristina estariam a escalada inflacionária, os escândalos de corrupção e a intervenção do governo nas mais diversas esferas, desde a economia até a liberdade de expressão.

Em fevereiro, o acidente de trem da estação do bairro Once, no centro de Buenos Aires, no qual morreram 51 pessoas (e mais de 700 foram feridas), contribuiu para prejudicar a imagem do governo, já que os empresários que tinham a licitação eram amigos de integrantes da Casa Rosada. Segunda-feira, oito meses após a tragédia, parentes das vítimas reclamaram nunca terem sido recebidos pela presidente. Cristina destinou parte da agenda para receber, na segunda-feira, o cantor mexicano Luis Miguel.

Mariel Fornoni, da consultoria Management & Fit, afirma que também pesa contra a presidente seu estilo, especialmente desde as declarações dadas em setembro, quando disse que "só devem ter medo de Deus e um pouquinho de mim". A presidente tornou-se alvo de piadas, especialmente desde maio, durante uma visita a Angola, quando imitou uma galinha e gesticulou para demonstrar como era a ordenha de uma vaca.

Desde sua reeleição, Cristina intensificou seus ataques contra jornalistas e empresas de mídia, empresários nacionais e estrangeiros, FMI, credores internacionais e classe média, entre outros alvos. O presidente da Câmara de Deputados, Julián Domínguez, que era um dos principais defensores do plano "Cristina Eterna" - estratégia para mudar a Constituição e permitir reeleições consecutivas indefinidas afirmou no início da semana que "não é oportuno" falar em uma segunda reeleição presidencial.

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