Jorge Silva/Reuters
Jorge Silva/Reuters

Aprovação de Piñera não se recupera e chega a 13% no Chile; protestos continuam

No dia 27 de outubro, ela já havia despencado para 14%, a menor aprovação de um presidente chileno desde a volta da democracia no país há três décadas 

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 19h10
Atualizado 05 de novembro de 2019 | 12h00

SANTIAGO - Apesar de suas concessões em meio aos protestos no país, a popularidade do presidente Sebástian Piñera não se recupera e nesta segunda-feira, 4, registrou mais um índice histórico: 13% de aprovação, segundo o instituto de pesquisas Cadem. No dia 27 de outubro, ela já havia despencado para 14%, a menor aprovação de um presidente chileno desde a volta da democracia no país há três décadas. 

Piñera paga pelos erros na gestão da crise desde o primeiro dia de protestos com uma queda acentuada da sua popularidade. Em um fim de semana frenético, com saques a supermercados, incêndios de infraestruturas e excessos, o presidente decretou estado de emergência, enviou militares às ruas e impôs um toque de recolher, medidas que não eram tomadas desde a época da ditadura de Augusto Pinochet.

Nesta segunda-feira, foi divulgado ainda que a economia chilena cresceu 3% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior, completando seu melhor trimestre do ano, mas, com os protestos, o governo prevê uma queda até o fim do ano, com uma retração de 0,5% em outubro.

"O que nós esperamos para o quarto trimestre é uma situação completamente diferente, produto dos eventos que todos conhecemos", disse o ministro da Fazenda, Ignacio Briones.

A Câmara de Comércio de Santiago (CCS) indicou que 46% das empresas do setor sofreu danos diretos e enfrentaram custos por menores vendas. 

Tentativa de normalidade 

Centenas de manifestantes em frente aos tribunais e taxistas com bandeiras contra a cobrança de pedágios dentro da cidade lançaram uma "supersegunda" de protestos sociais no Chile, onde começou a terceira semana de uma crise sem solução no horizonte e que desgasta o governo Piñera.

Desde cedo, Santiago teve mais trânsito e pedestres do que nas segundas-feiras anteriores, quando os danos à infraestrutura de transporte público, os saques e os incêndios paralisaram parcialmente a rotina de estudantes, trabalhadores e do comércio.

"A luta continua, mas temos de levantar o país. Não convém a ninguém que o país despenque", disse à France-Presse Olga Pérez, uma contadora que ia ao trabalho após uma hora e meia de viagem no ônibus da sua casa. "Ainda não temos o metrô habilitado", disse a moradora de Puente Alto, subúrbio operário atingido por atos de vandalismo.

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"Ainda não terminou", dizem as convocações pelas redes sociais para essa "supersegunda" no Chile, um dos países mais estáveis da América Latina até o dia 18 de outubro, quando eclodiu um protesto social sem precedentes desde a redemocratização em 1990. O governo ainda não conseguiu controlar a crise, que deixou 20 mortos.

Os protestos questionam um Estado ausente em educação, saúde e Previdência com base em um modelo econômico de livre-mercado, onde uma minoria controla a riqueza do país. Dessa maneira, multiplicaram-se as vozes da esquerda e da direita que pedem uma mudança na Constituição, herdada da ditadura Pinochet.

Os atos nas ruas de Santiago nesta segunda-feira acabaram mais uma vez em violência. Bombas de gasolina lançadas pelos manifestantes atingiram duas policias carabineiras, que tiveram suas fardas incendiadas. Vídeos postados no Twitter mostram o momento em que os colegas tentam ajudar as policiais, como nesse postado pela porta-voz do governo, Karla Rubilar Barahona. / COM AFP

 

 

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