Aprovada a realização do referendo sobre a renúncia de Chávez

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, deverá medir seu apoio popular frente à oposição no dia 2 de fevereiro próximo, depois que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou inesperadamente ter aprovado a realização de um referendo para consultar os cidadãos sobre se desejam sua renúncia. Na votação, que tem apenas caráter consultivo e não determinante, os eleitores devem responder à pergunta "Você está de acordo em solicitar ao presidente da República, cidadão Hugo Chávez Frías, que renuncie imediata e voluntariamente a seu cargo?".A decisão do CNE foi anunciada por seu presidente, Alfredo Avella, na madrugada desta quinta-feira após oito horas de sessão ininterrupta que culminou com a votação de três juízes eleitorais a favor, uma abstenção e um ausente."Foram cumpridos todos os requisitos da lei, por isso sabemos que se pode realizar", disse Avella. Indicou que no abaixo-assinado o número de assinaturas válidas dos que apoiaram a petição supera os 10% do número total de eleitores do país (cerca de 2 milhões de votantes), como exige a Constituição.O magistrado Rómulo Rangel, que se absteve, explicou que a decisão de seus companheiros viola o estatuto eleitoral e, além disso, denunciou uma avaliação deficiente das assinaturas. Suas denúncias foram rejeitadas por Avella. Para o presidente da Assembléia Nacional, William Lara, a decisão do Conselho "é um golpe de Estado contra o poder eleitoral, e isto revela que os atuais membros do CNE adotaram uma posição política". Por sua vez, a oposição mantém sua convocação para a greve geral na segunda-feira, afirmou hoje o presidente da influente entidade empresarial Fedecámaras, Carlos Fernández. "Não há garantia de que o referendo se vá realizar, porque já sabemos que um membro do CNE está tentando impugnar a decisão perante o Supremo Tribunal de Justiça, por isso achamos que (o referendo) não está nada garantido", disse. Fernández não revelou a identidade do magistrado eleitoral, enquanto que Lara reconheceu que nas próximas horas vários recursos devem ser apresentados perante o Tribunal Supremo. O clima político após a decisão do Conselho começa a esquentar e a temperatura poderia subir ainda mais com a greve. Esta seria a quarta paralisação geral dos trabalhadores em menos de um ano convocada pela oposição.O motorista de táxi Angel Araque lembrou, no entanto, que "o próprio Chávez disse que ainda que o "sim" obtivesse 90% dos votos ele não aceitaria" os resultados do referendo. O mandatário também criticou a greve, qualificada por ele como uma nova tentativa de golpe de Estado como o que ocorreu em 11 de abril, quando uma marcha opositora terminou em atos de violência que causaram a morte de 19 pessoas e também a saída momentânea de Chávez do poder.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.