Aprovada lei que dá superpoderes no orçamento a Kirchner

Quando os termômetros em Buenos Aires marcavam zero grau, a bancada oficialista da Câmara dos Deputados conseguia aprovar a lei que provoca uma polêmica no país: os plenos poderes ao Executivo de alterar a distribuição do orçamento sem passar pelo Congresso. Por 135 votos a favor e 91 contra, a modificação da Lei de Administração foi aprovada em meio a uma forte polêmica sobre a utilização do orçamento federal, principalmente com a chegada das eleições presidenciais em 2007.Com essa lei, o Chefe de Gabinete da Presidência, cargo que na hierarquia da Casa Rosada representa uma espécie de superministro, terá poderes totais de dispor do orçamento da forma como bem entender, sem necessidade de aprovação do Congresso. Na prática, significa que o presidente Néstor Kirchner pode escolher, conforme suas conveniências, tirar recursos originais aprovados e transferi-los para qualquer destino, sem ter que dar explicações dessa transferência.A oposição qualifica a lei como uma "concentração abusiva do poder" e parte de "um ardil estratégico para garantir ao kirchneirismo o alinhamento de todo o sistema político", como acusa o deputado Maurício Macri, líder do PRO-Compromiso para el Cambio (Comprimisso para a Mudança). Ele afirma que a lei que dá "superpoderes ao Executivo é parte da debilidade institucional sistemático". Macri raciocina que "com a economia em alta, muito melhor se fazem coisas que o povo não presta atenção, mas que depois toda a sociedade vai ter que pagar".A preocupação da oposição é ainda ampliada por causa do calendário eleitoral. Em outubro de 2007 haverá eleições presidenciais e os deputados e senadores da oposição acreditam que o governo utilizará o excedente fiscal para "comprar" votos no interior.

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