Aproxima-se fim do prazo dado pela oposição na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, reuniu-se na quarta-feira com os três principais líderes da oposição para tentar chegar a um acordo para pôr fim às manifestações no país. Os líderes deram um prazo de 24 horas para a demissão de todos os integrantes do atual governo, a convocação de eleições antecipadas e o fim da lei que impede as manifestações, questão que levou aos atos violentos dos últimos dias.

Agência Estado

23 de janeiro de 2014 | 09h41

As tensões estavam altas nesta quinta-feira na capital Kiev, em meio a relatos de sequestro de ativistas pela polícia e após a morte de dois manifestantes na quarta-feira, as primeiras em dois meses de demonstrações contra o governo. Apesar disso, policiais e manifestantes não se enfrentavam nesta manhã, separados por uma parede de fumaça produzida pela queima de pneus.

Os três líderes opositores, que se dirigiram aos manifestantes na praça da Independência na quarta-feira após reunião com Yanukovych, prometeram liderar as massas em confrontos com a polícia se suas exigências não forem atendidas. Caso o presidente não ceda, "amanhã (hoje) avançaremos juntos. E se houver uma bala na testa, então haverá uma bala na testa, mas de uma foram honesta, justa e corajosa", declarou um deles, Arseniy Yatsenyuk.

Na quarta-feira, a polícia espancou e atirou contra manifestantes, médicos voluntários e jornalistas durante os confrontos. Segundo o Ministério do Interior, 70 pessoas foram detidas.

Os protestos pacíficos, iniciados em novembro, começaram após a decisão de Yanukovych de não assinar um acordo de aproximação com a União Europeia (UE) e de aceitar, dias mais tarde, um pacote de resgate da Rússia no valor de US$ 15 bilhões. O movimento se tornou violento no último domingo, quando os participantes ficaram irritados com a aprovação de uma lei que sufoca as manifestações e marcharam na direção de prédios do governo.

Deste então os manifestantes têm jogado pedras e bombas incendiárias contra a polícia, que retalia com granadas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Na quarta-feira, a polícia desmanchou algumas barricadas montadas pelos ativistas e fez com que os manifestantes deixassem a região dos prédios governamentais, mas mais tarde eles atearam fogo a centenas de pneus e reconquistaram suas posições.

Os Estados Unidos informaram ontem que revogaram os vistos de autoridades ucranianas ligadas aos episódios de violência e ameaçaram adotar mais sanções contra o governo de Yanukovych, mas também condenaram os manifestantes radicais e suas ações agressivas. A UE condenou a violência e disse que também estuda a tomada de medidas contra o governo ucraniano.

Já a Rússia acusa o Ocidente de se intrometer em assuntos ucranianos. "Nós lamentamos e nos sentimos indignados com a óbvia interferência externa nos acontecimentos em Kiev", disse o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, ao jornal

Komsomolskaya Pravda, em entrevista publicada nesta quinta-feira. Fonte: Associated Press.

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