Apuração confirma vitória de Macri em Buenos Aires

Com 64,5% dos votos apurados, Maurício Macri (Proposta Republicana - PRO), candidato de centro-direita, obteve 62,81% dos votos no segundo turno para a eleições da prefeitura de Buenos Aires, enquanto o candidato oficial, Daniel Filmus, registrou 37,19% da preferência do eleitorado. Os números confirmam a pesquisa de boca de urna, que apontou a vitória do líder opositor ao governo argentino de Cristina Kirchner.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

31 de julho de 2011 | 20h59

Esta é a quarta vez que Macri sai vitorioso de uma disputa com Filmus, ex-ministro de Educação e atual Senador da Frente pela Vitória (FPV), sublegenda do Partido Justicialista, também chamado de peronista, que agrupa os "kirchneristas". Eles disputaram a prefeitura da capital federal em 2007, ano das eleições presidenciais que elegeram Cristina, e a decisão também foi no segundo turno, quando Macri abocanhou 60,9% dos votos ante 39,1% de Filmus.

"Damos os parabéns ao PRO e a Mauricio Macri, que saiu vitorioso, porque isso é respeitar o voto popular, mesmo quando o resultado não sai como a gente espera", reconheceu Filmus em seu discurso pouco antes da divulgação da apuração oficial. O senador disse que a presidente telefonou para Macri e o parabenizou pela vitória. No balanço da campanha, Filmus afirmou que o resultado das eleições "consolida a FPV como uma das duas forças políticas mais importantes da capital".

Entre os analistas, no entanto, a leitura foi de um fracasso da frente governista porque teve menor porcentagem de votos que em 2007. A vitória de Macri o posiciona, hoje, como o principal líder opositor do país para a corrida presidencial de 2015, e como catalisador de votos da oposição para a disputa à presidência no próximo dia 23 de outubro. "Macri é forte hoje, mas não tem candidato à presidência, nem definiu à quem dará seu apoio. Ele só pode funcionar como importante catalisador de votos, se fizer uma aliança com algum dos candidatos da oposição antes das eleições primárias, de 14 de agosto, para manter o clima favorável opositor gerado com a vitória no segundo turno", avaliou Rosendo Fraga, analista político do Centro de Estudos União para a Nova Maioria.

Eleições primárias

Os analistas consideram que estas primárias servirão como uma grande pesquisa para apontar quais são os partidos políticos e candidatos melhores posicionados para as eleições. A capital federal da Argentina é o terceiro distrito eleitoral mais importante do país, com 8,6% do eleitorado nacional. Há uma semana, o kirchnerismo perdeu em Santa Fé (quarto maior colégio eleitoral), que possui 8,5% do votos do país, e perderia na província de Córdoba, o segundo maior colégio, com 8,7% do eleitorado nacional.

O governo não tem candidato próprio ao governo de Córdoba, nas eleições do próximo domingo (7), onde o favorito das pesquisas é o ex-governador peronista José Manuel de la Sota. A presidente e seus seguidores têm apostado na estratégia do "já ganhou", devido às sete vitórias anteriores de seus candidatos em distritos pequenos e à sua elevada aprovação da opinião pública que se instalou após a morte do marido.

As pesquisas indicam um triunfo de Cristina no dia 23 de outubro com uma margem folgada que evitaria um segundo turno. Mas a oposição está cheia de esperanças de levar a decisão para o segundo turno após a resposta de Buenos Aires e Santa Fe e, provavelmente, de Córdoba. Estes três colégios eleitorais representam quase 26% do eleitorado nacional. O maior peso, entretanto, é da província de Buenos Aires, que possui 37,5% do eleitorado e onde a as eleições presidenciais costumam ser decididas.

Buenos Aires

O governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, do Partido Justicialista, com ampla aprovação popular, já foi desautorizado e maltratado publicamente por Cristina Kirchner e pelo marido, o ex-presidente Néstor Krichner, que morreu em outubro do ano passado. O kirchnerismo sempre temeu o carisma de Scioli, que foi apontado, nos últimos anos, como o homem capaz de unificar o peronismo.

Calado, Scioli cresce em sua campanha à reeleição e possui grande influência entre os políticos da província, como os prefeitos e líderes históricos peronistas, também maltratados pela Casa Rosada. Cristina deixou de fora das listas de candidatos a deputados e senadores, vários correligionários de alguns municípios da província e da Central Geral do Trabalho (CGT).

Agora, entre os kirchneristas há o temor do "voto castigo".

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