Presidência da Argentina / AFP
Presidência da Argentina / AFP

Apuração das primárias para eleições legislativas na Argentina mostra vantagem da oposição

Votação é obrigatória e considerada o primeiro teste nas urnas do presidente Alberto Fernández

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 22h52
Atualizado 13 de setembro de 2021 | 06h44

BUENOS AIRES - A principal aliança de oposição ao governo da Argentina está em vantagem sobre a coalizão governista nos maiores distritos do país, de acordo com as primeiras parciais da apuração das primárias das eleições legislativas realizadas no domingo, 12. A votação é considerada o primeiro teste nas urnas do presidente Alberto Fernández.

"Todos escutamos o veredito das pessoas com respeito e muita atenção", declarou Fernández, ao lado dos principais dirigentes de seu partido, após o anúncio dos resultados.

"A partir de amanhã (segunda-feira) vamos trabalhar para que em novembro nos acompanhem, porque seguimos convencidos que estamos diante de dois modelos de país, um que inclui a todos e outro que deixa muitos de lado", disse.

Na maioria do distritos argentinos, os candidatos da aliança governista Frente de Todos ficaram em segundo lugar, atrás dos representantes da aliança Juntos por el Cambio, liderada pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019).

Na província de Buenos Aires, tradicional reduto do peronismo, onde está 37% do eleitorado nacional, as listas de pré-candidatos apresentada pela Juntos obteve 38,26% dos votos, com 76% das urnas apuradas.

Já a coalizão governista Frente de Todos, encabeçada por Victoria Tolosa Paz, aparece com 33,67% dos votos, seguida por outras formações de oposição.

Nas três subdivisões do território que têm mais eleitores depois da província de Buenos Aires, a Juntos por el Cambio também aparece na frente na apuração. Em Córdoba, com 47,5% da escolha do eleitorado; em Santa Fe, com 41,64%, e na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina, com 48,37%.

"É um cenário catastrófico para o governo. Com estes números, a perspectiva é que o triunfo opositor deve ser consolidado dentro de dois meses", declarou à AFP o cientista político Carlos Fara.

Os argentinos voltarão às urnas em 14 de novembro, quando renovarão 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 das 72 do Senado. A coalizão governista pode perder a maioria que possui atualmente no Senado. Na Câmara, o governo tem minoria e precisaria de 10 cadeiras a mais para conquistar a maioria.

Nas primárias legislativas, em que o voto é obrigatório, estavam aptos a participar 34,3 milhões de eleitores, que deveriam ajudar a definir as listas dos candidatos que participarão do pleito de novembro.

As eleições deste domingo, cuja votação foi encerrada às 18h, foram realizadas com rígidos protocolos para evitar a propagação da covid-19.

A pandemia causou mais de 113.000 mortes e 5,5 milhões de casos no país, com uma diminuição acentuada nas infecções nas últimas semanas, à medida que a vacinação avança. Mais de 63% dos 45 milhões de habitantes da Argentina receberam uma dose e 40% já foram totalmente imunizados.

Um total de 34 milhões de pessoas estavam registradas para votar. O índice de participação foi um pouco superior a 67%. / EFE e AFP

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