Tom Brenner/REUTERS
Tom Brenner/REUTERS

Apuração reduz esperança dos democratas de controlar o Senado

Maioria na Casa é considerada fundamental para garantir governabilidade, caso o candidato Joe Biden derrote o atual presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 16h32

Se no dia da eleição americana a expectativa dos democratas era retomar o poder sobre o Senado, agora o partido vê a esperança de obter ampla maioria diminuir à medida que os votos são contabilizados. O controle da Casa é considerado fundamental para garantir governabilidade, caso o candidato Joe Biden também derrote o atual presidente Donald Trump na disputa pela presidência dos Estados Unidos.

Estão em disputa 35 das 100 vagas para o Senado, que hoje é majoritariamente composto por republicanos. Para reverter o quadro, existem dois cenários possíveis para os democratas. Ou o partido derruba quatro vagas do adversário ou consegue três cadeiras a mais e confirma a eleição de Biden, já que em caso de empate em votações da Casa, o vice-presidente americano exerce voto de Minerva. 

Projeção do New York Times aponta que, neste momento, os democratas estão com  47 cadeiras asseguradas, exatamente o mesmo número de antes do pleito. Já os republicanos aparecem com 48 senadores garantidos, mas levam vantagem na disputa de vagas consideradas em aberto. Vale ressaltar que há Estados com expectativa de demorar mais tempo para apurar os votos, por causa da grande quantidade que chega pelos correios.

Das cinco cadeiras ainda sem confirmação, o partido de Trump está à frente, por exemplo, na Carolina do Norte, onde a contagem chegou a 94%. O senador republicano Thom Tillis, que lidera com margem inferior a 2 pontos, já se declarou vencedor no Estado. “O que alcançamos esta noite foi uma vitória impressionante e fizemos isso contra todas as probabilidades”, disse.

Entre as vagas mais disputadas, segundo as projeções, os democratas só conseguiram conquistar duas até o momento -- uma no Colorado e outra no Arizona. Por sua vez, os republicanos tomaram o Alabama e mantiveram posição em outros Estados, contrariando pesquisas que anteviam que o vínculo político com Trump poderia prejudicar seus correligionários.

Aliado importante do atual presidente, o veterano Lindsey Graham foi reeleito na Carolina do Sul, mesmo após se envolver em polêmicas nas últimas semanas. Ele havia sido alvo de uma série de críticas, após supervisionar o processo de nomeação da juíza conservadora Amy Coney Barrett para a Suprema Corte. 

Graham derrotou o afro-americano Jaime Harrison, que era recordista de arrecadação de doações para campanha e uma das maiores promessas dos democratas para desbancar seus adversários. "Não obtive os resultados que queríamos nas urnas, mas mostrei coragem e determinação", afirmou Harrison em comunicado, ao reconhecer a derrota.

Os republicanos resistiram sem problemas em outros Estados, incluindo Kentucky, onde o líder da maioria na Casa, Mitch McConnell, venceu com facilidade. No Texas e em Montana, também tiveram vitórias. 

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Obter maioria no Senado é considerado fundamental para controlar a política de Washington, já que o grupo escolhe as pautas que são levadas a plenário. À Casa, cabe aprovar leis federais e também confirmar indicações para tribunais ou cargos do alto escalão. 

Próxima a Trump, a senadora de Iowa Joni Ernst foi outra a se manter na cadeira. "Conseguimos!", comemorou no Twitter. Essa era uma das vagas que, com base em projeções, os democratas acreditavam que tomariam.

Em Maine, também havia expectativa do partido derrotar a senadora republicana Susan Collins, vista como vulnerável. Com 76% da apuração no Estado, porém, a veterana já é dada como eleita. “Desde que Maine começou a eleger seus senadores, sou a primeira pessoa a ganhar um quinto mandato”, declarou.

Agora, resta ao partido de Joe Biden depositar esperança na Geórgia. Se os democratas ganharem agora, o controle do Senado estaria equilibrado até o segundo turno de uma eleição especial no Estado, em janeiro de 2021

O cenário da apuração dos votos, no entanto, não é dos mais promissores. Na Geórgia, o republicano David Perdue aparece na frente do democrata Jon Ossoff, após 92% das circunscrições apuradas.

Democratas confirmam maioria na Câmara

Em contrapartida, os democratas confirmaram maioria na Câmara dos Representantes (Deputados), obtida em 2018. Dessa forma, Nancy Pelosi, uma das principais opositoras a Trump, deve continuar como presidente da Casa pelos próximos dois anos. "Estou muito orgulhosa de poder dizer que esta noite, e relativamente cedo, que mantivemos a Câmara", declarou. 

A democrata Alexandria Ocasio-Cortez também confirmou sua cadeira. Integrante da ala mais progressista do partido, ela marcou fortemente o noticiário dos últimos dois anos com suas intervenções no Congresso e também com o manejo das redes sociais./COM NYT E AFP 

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