Apuração inicial no Irã surpreende e dá ampla vantagem a clérigo moderado

Com 65%, Hassan Rohani tinha 51% dos votos e poderia vencer já no primeiro turno

Reuters,

15 Junho 2013 | 10h17

TEERÃ - Resultados iniciais da apuração das eleição no Irã surpreenderam ao colocar o clérigo moderado Hassan Rohani, apoiado pelos reformistas, com uma ampla vantagem sobre seus rivais conservadores. Com 65% das urnas abertas no sábado, 15, Rohani tinha 51% dos votos válidos. Caso ele consiga manter esse resultado, será consagrado como sucessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad já no primeiro turno.

O segundo colocado, segundo a apuração preliminar, era o prefeito de Teerã, o conservador Mohammad Baqer Qalibaf, mas ele aparecia com cerca de um terço dos votos recebidos por Rohani. A Justiça eleitoral afirmou que o comparecimento na votação de sexta-feira foi de aproximadamente 80%.

A surpresa nas urnas mostra não só que grande parte dos iranianos está insatisfeita com os rumos que o líder supremo, Ali Khamenei, e seus aliados têm imposto ao Irã, mas também que os reformistas – esmagados no levante de 2009 – ainda mantêm forte influência no país. Uma vitória de Rohani, entretanto, não significará mudanças bruscas em temas como o polêmico programa nuclear de Teerã ou a política econômica, decididos por Khamenei.

Ex-negociador nuclear, Rohani criticou ao longo da campanha o isolamento do Irã provocado pela retórica radical de líderes iranianos como Ahmadinejad e prometeu “uma relação construtiva com o mundo”. Ele também bateu de frente com os conservadores em temas como os direitos das mulheres, prometendo criar um ministério para promover igualdade de oportunidades de trabalho.

“Tenho dificuldades em imaginar o sistema da república islâmica convivendo com um presidente Rohani. Como ele é apoiado pelos reformistas e centristas, trata-se de uma figura nada agradável ao líder supremo”, disse ao Estado Ali Vaez, analista sênior de Irã no centro Crisis Group. “A oposição perdeu a rede de poder que tinha até 2009, alguns de seus líderes estão em prisão domiciliar e seus jornais acabaram fechados"

Com Roberto Simon

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