REUTERS/Stringer
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Apuração lenta das eleições de Mianmar confirma vitória de líder pró-democracia

De acordo com os primeiros resultados, dentre as 323 cadeiras do Parlamento em disputa, a Liga Nacional para a Democracia conquistou 49 e o partido governista, apenas 3

O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 08h40

RANGUM - A apuração dos votos em Mianmar, que é coordenada pela Comissão Eleitoral e avança lentamente, confirma nesta terça-feira, 10, a grande vitória do partido da opositora Aung San Suu Kyi. 

Na Câmara Baixa do Parlamento, os primeiros resultados, referentes a 54 das 323 cadeiras em disputa, indicam que a Liga Nacional para a Democracia (LND) conquistou 49 e o partido governista, o Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, apenas 3.

O partido da opositora e vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi reivindicou na segunda-feira uma grande vitória nas legislativas de domingo, que abrem caminho para uma mudança histórica no país.

Após décadas de dissidência, incluindo mais de 15 anos em prisão domiciliar, a "Dama", de 70 anos, demonstra prudência e pede paciência aos simpatizantes.

As primeiras regiões com votos apurados são Rangum e Mandalay, a segunda maior cidade do país, ambas tradicionalmente favoráveis à LND.

O partido governista mantém sua influência em regiões como os Estados de Kayah e Shan, áreas de conflitos armados étnicos, apesar de uma intensa campanha da "Dama de Rangum".

A LND afirma que conquistou mais de 70% das cadeiras no Parlamento, dado que ainda não foi possível confirmar.

O resultado permitiria ao partido de Aung San contar com maioria absoluta, apesar da presença obrigatória no Parlamento de 25% de deputados militares, não favoráveis à LND.

Depois de décadas de governo de uma junta militar, seguido por alguns anos de administração liderada pelos herdeiros dos generais, e as reformas democráticas iniciadas em 2011, a vitória de Aung San representaria uma revolução completa e inédita no panorama político de Mianmar.

Acusação. Ainda nesta terça-feira, a opositora Aung San acusou o governo de atrasar o resultado das eleições intencionalmente, e disse que ele estaria tentando “fazer um truque”. A acusação traz preocupação, já que o pleito parecia ter sido amigável.

“A Comissão Eleitoral tem atrasado intencionalmente porque quer fazer um truque ou algo do tipo”, disse Win Htien, porta-voz da LDN. “Não faz sentido eles divulgarem os resultados partes por partes. Não deveria ser assim.”

Analistas acreditam que o partido governista teria pouco a ganhar ao interferir nas eleições, porque parte das reformas que permitem uma democracia gradual já garantiu sua posição graças aos poderes constitucionalmente garantidos. /AFP e ASSOCIATED PRESS

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