Apuração parcial na Bolívia confirma reeleição de Evo

OEA critica lentidão do processo de apuração no país e diz não ser conveniente tirar conclusões a partir de pesquisas boca de urna

O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 10h48

LA PAZ - O resultado da apuração de 42,56% das urnas na Bolívia, divulgado na segunda-feira pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), confirma a vitória do presidente Evo Morales na eleição de domingo, como já tinham antecipado as pesquisas de boca de urna.

Os dados da apuração começaram a ser publicados na tarde de segunda na Bolívia, após mais de 24 horas sem informações sobre o resultado. O TSE atribuiu a demora a problemas técnicos e a uma suposta ameaça de ataque de hackers contra o sistema eleitoral.

Segundo os dados divulgados até agora, que não chegam à metade dos votos registrados, Evo conquistaria seu terceiro mandado com 53,7% de apoio contra 30% do principal candidato da oposição, Samuel Doria Medina, e 11,52% do ex-presidente Jorge Quiroga.

Os levantamentos de boca de urna já tinham dado ao atual governante uma vitória com cerca de 60% do total de votos. Até a oposição já tinha reconhecido a vitória de Evo em razão da boa reputação desse tipo de pesquisa no país. Antes mesmo dos resultados oficiais, Evo se declarou vitorioso.

O presidente precisa de dois terços do Congresso para poder promover novas reformas legais e modificar a própria Constituição, algo que vem ocorrendo desde 2009, quando os governistas dominaram o Congresso. Durante a campanha, a oposição expressou temor pelo domínio do MAS no Legislativo, dizendo que o controle poderia significar uma proposta de reeleição indefinida, algo que o governo nega.

Embora as pesquisas de boca de urna tenham apontado que Evo venceu pela primeira vez no tradicionalmente opositor Departamento de Santa Cruz, Doria Medina está na frente por quase dois pontos percentuais no resultado parcial divulgado até o momento.

Em entrevista à Efe, o porta-voz do TSE, Ramiro Paredes, disse que problemas de logística e supostas ameaças de hackers atrasaram a apuração, impedindo o anúncio dos resultados até a meia-noite de domingo.

Paredes afirmou que alguns integrantes do TSE receberam em seus celulares "mensagens anônimas" de que o sistema de transmissão da instituição seria sabotado, o que obrigou as autoridades a reforçarem a segurança.

Houve também atraso no trabalho dos mesários, "que resultou em um efeito dominó em todas as atividades posteriores", acrescentou Paredes.

A legislação eleitoral da Bolívia permite que os tribunais departamentais enviem seus relatórios ao TSE em até sete dias. Há ainda o acréscimo de outros cinco dias para a divulgação do resultado final oficial, disse o porta-voz.

Críticas. A missão de observação eleitoral enviada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) ao país afirmou em seu relatório sobre as eleições que "não é conveniente que conclusões sejam tiradas a partir das pesquisas boca de urna".

O documento também qualifica o processo de apuração do país como "extremamente lento" e recomenda que a Bolívia desenvolva um sistema eficaz de transmissão e divulgação dos resultados preliminares.

A ausência inicial de dados oficiais não foi empecilho para que o governo de vários países parabenizassem Evo pela vitória.

Mais de seis milhões de bolivianos votaram para escolher o presidente, vice-presidente e novos integrantes do Legislativo do país. A votação ocorreu com normalidade e com alta participação. Mais de 200 observadores de organismos internacionais acompanharam a eleição. / EFE

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