Aquecimento global pode "esfriar" Europa

A Europa Ocidental poderá ficar mais friacom o aumento do aquecimento global, dizem cientistas eambientalistas. O processo de derretimento do gelo ártico járeduziu a temperatura das correntes oceânicas que garantem otempo ameno no continente. Se a calota da Groenlândia e do PóloNorte continuarem a se desfazer no ritmo atual, os termômetroseuropeus entrarão em queda brusca nos próximos 50 anos, alertamos especialistas. "Para mitigar o avanço, o aumento e a aceleração desseaquecimento seria preciso medidas radicais, muito mais ainda doque o Protocolo de Kyoto está propondo", disse Jonathan Bamber,da Universidade de Bristol, um dos pesquisadores queparticiparam essa semana da conferência das Nações Unidas sobreo tema, em Milão. Segundo ele, o incremento do fluxo de água dasregiões árticas poderá reduzir a velocidade ou até mudar o cursoda Corrente do Golfo. A corrente leva água quente do Golfo doMéxico para o Atlântico Norte e, com isso, esquenta o clima daEuropa. Além disso, já nos próximos cinco anos, as condições nosAlpes poderão ficar muito mais perigosas, disse Bamber. No verãopassado, foi a primeira vez que os picos Matterhorn e Mont Blancforam fechados por causa do risco de deslizamentos de rochascausados pelo derretimento da neve e do gelo. E durante a ondarecorde de calor deste ano no continente 10% do gelo"permanente" dos Alpes italianos derreteu, disse Damiano DiSimine, presidente do escritório italiano da ComissãoInternacional para Proteção dos Alpes. Apesar das previsões pessimistas, o diretor para Políticas deClima do Greenpeace, Bill Hare, disse que os esforços europeuspara reduzir a emissão de gases do efeito estufa são umprogresso significativo na implementação de políticas contra oaquecimento global. O Protocolo de Kyoto determina que paísesreduzam emissões em cerca de 5% até 2012. Para entrar em vigor,o acordo, assinado em 1997, precisa da adesão da Rússia, queainda não decidiu se vai ratificá-lo.

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