EFE/EPA/OFFICE OF THE VENEZUELAN AMBASSADOR
EFE/EPA/OFFICE OF THE VENEZUELAN AMBASSADOR

Aqui acabou usurpação, diz embaixador designado por Guaidó ao assumir sede em Washington

Desde janeiro, quando o governo Trump reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela, Vecchio atua nos bastidores na relação com as autoridades americanas

Beatriz Bulla, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 06h00

Próximo ao horário do almoço da sexta-feira, uma bandeira da Venezuela começou a ser hasteada no prédio de tijolos aparentes que tumultuou uma rua calma em Georgetown, bairro histórico de Washington, nas últimas semanas. Do lado de fora, um pequeno grupo aplaudiu. Do lado de dentro, por uma das janelas, era arremessada uma faixa que dizia: “Aqui acabou a usurpação”. Foi a primeira vez que Carlos Vecchio, denominado embaixador da Venezuela nos EUA por Juan Guaidó, entrou na sede diplomática. 

Desde janeiro, quando o governo Donald Trump reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela, na tentativa de forçar o fim do regime de Nicolás Maduro, Vecchio atua nos bastidores na relação com as autoridades americanas, mas não tem seu principal escritório de trabalho. Em março, quando foi reconhecido embaixador pelos EUA, Vecchio assumiu prédios diplomáticos e militares em Washington e o controle de um consulado em Nova York. A embaixada venezuelana, no entanto, continuou no meio de disputa.

Em janeiro, Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com os EUA e ordenou o fechamento da embaixada e dos consulados. Os últimos diplomatas do regime chavista deixaram o prédio em abril mas, na sequência, cerca de 30 ativistas americanos ocuparam o local para que o grupo de Guaidó não assumisse o posto. Com placas nas janelas com os dizeres “o golpe fracassou”, os americanos rejeitavam deixar o local. Do lado de fora, venezuelanos acamparam em protesto contra os ativistas.

Os quatro ativistas que restaram na embaixada foram presos há pouco mais de uma semana em uma ação da polícia americana. Dias antes, autoridades federais estamparam no prédio o aviso de que os EUA reconhecem Vecchio e Gustavo Tarre – embaixador de Guaidó na Organização dos Estados Americanos (OEA) – como os representantes diplomáticos da Venezuela no país e, portanto, pessoas que estivessem no local sem a autorização dos dois seriam consideradas invasoras.

Segundo Francisco Marquez, assessor político na embaixada, a prioridade agora é reabrir os serviços para os venezuelanos que moram nos EUA. “Durante os últimos cinco anos, o regime ignorou a comunidade venezuelana nos EUA”, afirmou. 

Com a paralisação das funções diplomáticas nos últimos anos, há inúmeros passaportes vencidos a ser renovados, entre outras demandas. 

O grupo de Guaidó nos EUA é um dos principais pilares internacionais do opositor a Maduro, pois negocia direto com a cúpula de Trump – que tem liderado as ações mais duras contra o regime chavista. Mas os diplomatas também sofrem com a falta de estrutura e equipe. A partir de agora, Vecchio passa a ser um embaixador com direito a embaixada. 

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