''''Aqui vivemos como mortos'''', diz Ingrid, em carta divulgada pela família

Um dia após a divulgação de prova de vida de 17 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de cinco anos, a família da colombiana divulgou trechos de uma carta escrita por ela. As cartas e os vídeos foram descobertos após a prisão de três membros das Farc em Bogotá, na noite de quinta-feira."Aqui vivemos como mortos", afirma a senadora, que também é cidadã francesa, na carta de 12 páginas enviada à sua mãe, Yolanda Pulecio. "Estou fisicamente mal. Não consegui voltar a comer, o meu apetite desapareceu. Meu cabelo cai em grandes quantidades", disse Ingrid, que aparece extremamente abatida nas imagens de vídeo divulgadas na sexta-feira. A ex-candidata presidencial também agradeceu a mediação do governo francês em seu caso. "Meu coração pertence à França. Quando a noite era escura, a França foi o meu farol. Quando era mal visto pedir nossa liberdade, a França não se calou. Quando acusaram nossas famílias de prejudicar a Colômbia, a França lhes deu apoio e consolo."Nos vídeos divulgados na sexta-feira, outros reféns também mandaram mensagens para suas famílias. O americano Thomas R. Howes, seqüestrado em fevereiro de 2003, disse estar feliz por ter escutado uma mensagem da mulher, Mariana, num programa de rádio. O tenente colombiano Raymundo Malagón, seqüestrado em abril de 1998, afirmou em sua mensagem de vídeo que mandou uma carta ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que fosse analisada juntamente com a deputada colombiana Piedad Córdoba. Na semana passada, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, encerrou a mediação que Chávez e Córdoba vinham fazendo com as Farc, alegando que o líder venezuelano havia desrespeitado um pedido seu para que não falasse diretamente com o comando militar colombiano.

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