Árabe condenado por estrupro por 'fingir ser judeu' diz ser alvo de racismo

Homem sentenciado a 18 meses de prisão afirma ser inocente e promete recorrer da sentença.

BBC Brasil, BBC

21 de julho de 2010 | 18h24

O homem árabe condenado a prisão nesta segunda-feira por alegadamente ter ter dito ser judeu a uma mulher judia para domir com ela afirmou ser alvo de racismo, segundo o jornal israelense Haaretz.

Sabar Kashur, de 30 anos, recebeu pena de 18 meses de prisão por "estupro por má fé" e disse que vai recorrer da sentença.

No entender do juiz responsável pela sentença, Zvi Segal, a relação sexual só foi consentida porque ele disse à parceira que era um judeu solteiro à procura um relacionamento estável.

Segundo a mulher, os dois se conheceram em 2008 numa rua de Jerusalém e tiveram relações sexuais no mesmo dia.

Apelido

Ao descobrir que o parceiro não era judeu, ela procurou a polícia. Kashur acabou detido e afirma ter passado dois anos sob prisão domiciliar.

Ele, porém, nega ter mentido a respeito de sua religião. Kashur alega que seu apelido, Dudu, é comum entre judeus de nome David - fato que teria levado a um mal entendido.

"Ela que me procurou. Chegou interessada na minha motocicleta e nós conversamos. Eu não fingi nada", afirmou ele ao jornal.

"Se eu fosse judeu, não teriam nem me interrogado", disse.

"O que houve não foi estupro. Eu não a estuprei na floresta e a larguei nua. Ela consentiu tudo."

Seus argumentos, porém, não convenceram a Justiça. "O tribunal está obrigado a proteger o público de criminosos sofisticados que podem enganar vítimas inocentes a um preço insuportável -- a santidade de seus corpos e suas almas", afirmou o juiz Segal.

Precedentes

O caso não é único no país. Em Israel, também já foi condenado por fraude um homem que mentiu ser neurocirurgião para levar uma mulher para cama.

Críticos temem que sentenças semelhantes possam se tornar comuns.

"Os homens podem acabar condenados por estupro toda vez que convencerem uma mulher a ir para cama dizendo que a amam", afirma Elkana Laist, advogada da Defensoria Pública israelense.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
acusaçãoestuprosentençajudeuárabe

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.