Árabes cautelosos ante adesão israelense a plano de paz

Os dirigentes dos países árabes e muçulmanos demonstraram otimismo e, ao mesmo tempo, desconfiança em relação à decisão israelense de aceitar o roteiro para a paz. Entre os comentários mais céticos destacam-se o do presidente do Líbano, Emil Lahoud - "a posição de Israel esconde uma manobra que tem como objetivo ocultar os direitos dos palestinos", disse - e o do porta-voz da chanceleria do Irã, Hamid Reza Assefi - "É evidente que, com Ariel Sharon, nenhum plano de paz pode ser aplicado".No Cairo o diário governista Al-Ahram assinalou que esta é "uma ocasião preciosa que israelenses e palestinos devem aproveitar". Mas o jornal saudita al-Watan - que também expressa a posição do regime - prevê que o plano terá o mesmo destino dos acordos de Oslo. "Dez anos mais tarde, podemos dizer que a história se repete, com a simples diferença de que Israel, que sabotou tudo o que se decidiu anteriormente, é hoje mais forte", destacou o diário. O plano de paz tem como uma de suas metas a aceitação do direito de existência de Israel por seus vizinhos árabes.Numa reunião de cúpula no ano passado, a Liga Árabe endossou um plano apresentado pela Arábia Saudita que oferecia o reconhecimento de Israel em troca de sua retirada de todas as terras ocupadas (incluindo as colinas sírias do Golan) e a aceitação do direito de retorno de cerca de 4 milhões de refugiados palestinos ao território que hoje constitui o Estado judeu (essa reivindicação Israel não aceita discutir).

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