Árabes cogitaram silenciar sobre morte de palestino

Telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks, site voltado para a publicação de documentos confidenciais de nações, indicam que autoridades dos Emirados Árabes Unidos discutiram se deveriam se manter caladas sobre o assassinato de um importante integrante do Hamas no país, em janeiro deste ano. Agentes do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, são suspeitos pelo assassinato do membro da organização palestina.

AE, Agência Estado

28 de dezembro de 2010 | 09h51

Os documentos também mostram que os Emirados Árabes buscaram ajuda dos Estados Unidos para rastrear detalhes de cartões de crédito que a polícia de Dubai acredita que tenham sido usados por um esquadrão estrangeiro envolvido no assassinato.

Autoridades de Dubai não discutiram a morte de Mahmoud al-Mabhouh até 29 de janeiro, nove dias depois de seu corpo ter sido descoberto no quarto fechado de um hotel nas proximidades do aeroporto. A demora em comentar o caso foi precedida por debates nos níveis mais altos do governo dos Emirados Árabes. Autoridades discutiram entre "não falar nada ou revelar mais ou menos a extensão das investigações no país", segundo um dos telegramas.

Inicialmente, a polícia se referiu aos assassinos como "um experiente grupo criminoso" que viajava com passaportes europeus. Só mais tarde as forças de segurança responsabilizaram diretamente o Mossad. O Hamas acusa Israel pelo assassinato, mas Israel nunca reconheceu ter realizado a ação.

Os telegramas, que foram publicados no sábado, não trazem novidades sobre as identidades dos assassinos, mas em um deles, o embaixador norte-americano na capital dos Emirados Árabes, Abu Dhabi, aponta um possível motivo por trás da decisão do país de eventualmente revelar detalhes sobre o assassinato.

"Não dizer nada seria considerado uma proteção aos israelenses e, no final, os Emirados Árabes escolheram revelar tudo", escreveu o embaixador Richard Olson. "A declaração foi feita cuidadosamente para que não apresentasse acusações diretas, mas a referência a um grupo com passaportes ocidentais será entendida localmente como uma referência ao Mossad."

Outro telegrama destaca o pedido dos Emirados Árabes, feito em 24 de fevereiro aos Estados Unidos, por ajuda para rastrear detalhes sobre os usuários de cartões de crédito e outras informações relacionadas aos supostos assassinos. A polícia de Dubai disse que muitos dos supostos assassinos usaram cartões de crédito pré-pagos emitidos por um banco em Iowa e que foram distribuídos por meio de outra empresa norte-americana, conhecida como Payoneer.

Funcionários da embaixada norte-americana passaram os detalhes do pedido para o FBI e pediram a Washington que os disponibilizasse com urgência, segundo o telegrama. A assessoria de imprensa do governo de Dubai informou estar analisando das revelações e não fez qualquer comentário sobre o caso nesta terça-feira. As informações são da Associated Press.

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