Árabes condenam ultimato e criticam Bush

Pessoas em todo o Oriente Médio reagiram com irritação ao ultimato dado pelos EUA ao presidente iraquiano Saddam Hussein, afirmando que a exigência de que ele renuncie não tem legitimidade internacional e que a guerra poderá levar ao caos. Muitos criticaram duramente o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O escritor jordaniano Amal Mansour chamou Bush de "um novo Hitler que levará o mundo à terceira guerra mundial". Mas também houve apoio ao ultimato, notavelmente de um destacado jornal árabe. A posição pan-árabe foi apresentada pela Liga Árabe, que anunciou que a iniciativa de Bush "está fora da legitimidade internacional". O secretário-geral da Liga de 22 nações, Amr Moussa, disse no Cairo que a "suspensão do trabalho diplomático e a aproximação da guerra apresentam grandes perigos". A Síria, um membro árabe do Conselho de Segurança da ONU, afirmou que o ultimato de Bush é contrário às resoluções, carta e princípios da ONU. Uma ação unilateral contra o Iraque pode servir como uma "justificativa para a agressão e interferência nos assuntos internos de Estados membros da ONU", considerou o governo sírio num comunicado divulgado pela agência oficial de notícias. Em Riad, Arábia Saudita, o escritor e analista Khaled bin Suleiman descreveu Bush como um "compulsivo, temerário, e indigno de governar mesmo o menor país do mundo". Em Sanaa, Iêmen, um mercador de 28 anos, Badei Mounir, comparou Bush a "qualquer chefe tribal que, quando em conflito com outro chefe tribal, decide ir à guerra para resolver a disputa". Para Mounir, Bush "levou o mundo de volta à idade das trevas, quando a lei da selva prevalece e o forte come o fraco". O ex-diplomata iemenita Nasser Jaasous disse que o discurso de Bush foi uma declaração de guerra que mina o papel das Nações Unidas. "Podemos afirmar que os Estados Unidos deram um tiro de misericórdia no Conselho de Segurança", avaliou Jaasous. Em Omã, Obeid al-Shaqsy, um professor de ciência política na Universidade Sultão Qaboos, disse que o ultimato de Bush foi "ilegal, unilateral e não tem um mandato internacional". Ele advertiu que a decisão de Bush "levará a um estado de caos em todo o mundo que ninguém pode antever, apenas Deus". Entretanto, o jornal de proprietários sauditas Al-Hayat, publicado em Londres, escreveu que Saddam deveria abandonar o poder por ser a única forma de se evitar a guerra. "Como testemunhas da verdade, só podemos admitir que esse homem tem liderado seu país de um suicídio para outro... A história desse homem tem sido marcada pela violência que tem levado a matanças e matanças, que têm levado ao medo e a um seu cada vez maior apego ao poder", escreveu o jornal num editorial. Em Cartum, Sudão, milhares de mulheres promoveram uma passeata carregando bebês, o Corão e cartazes, gritando slogans pedindo para os EUA não atacarem o Iraque "em nome do petróleo". No Cairo, cerca de 2.000 estudantes de medicina gritaram slogans antiamericanos numa manifestação na frente da Embaixada alemã, condenando Bush e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Perto da Embaixada dos EUA, cerca de 150 manifestantes, superados em muito por integrantes da tropa de choque, carregavam cartazes onde se lia "Não à agressão" e "As crianças iraquianas precisam de alimentos, não de bombas".

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