Suhaib Salem/Reuters
Suhaib Salem/Reuters

Árabes e Rússia pedem fim do ataque a civis

Secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, diz que a ofensiva militar da coalizão está colocando a população líbia em situação de risco

, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

CAIRO

A Liga Árabe e a Rússia criticaram ontem a ofensiva militar da coalizão ocidental contra as forças do ditador líbio, Muamar Kadafi, e afirmaram que os bombardeios também estão colocando a vida dos civis em risco.

Em nota divulgada pela agência de notícias estatal do Egito, o secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa, afirmou que os árabes não queriam que os ataques militares atingissem civis quando a Liga pediu a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger a população dos ataques das forças de Kadafi. Moussa também disse que estava solicitando uma reunião de emergência da Liga Árabe para discutir a situação no mundo árabe e, particularmente, na Líbia.

"O que aconteceu na Líbia é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, o que queremos é proteger os civis, e não bombardear mais civis", disse Moussa em entrevista coletiva ao lado do presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, na sede da Liga Árabe, no Cairo.

Segundo Moussa, a Resolução 1.973 aprovada na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU proibia qualquer invasão ou ocupação terrestre. "Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, acrescentando que pediu relatórios completos sobre a situação na Líbia.

Um oficial americano, que acompanhava o presidente Barack Obama em visita ao Rio de Janeiro contestou as declarações de Moussa. "A resolução apoiada pelos árabes e o Conselho de Segurança inclui que "todas as medidas necessárias" sejam usadas para proteger os civis, o que deixamos muito claro vai além da zona de zona de exclusão área", disse o oficial.

A retirada de um apoio árabe à intervenção tornará mais difícil levar adiante o que muitos analistas de defesa dizem ser uma campanha incerta e sem um término definido.

Excesso. O governo da Rússia, um dos cinco países que se abstiveram na votação que aprovou a intervenção militar, também pediu que a interrupção dos bombardeios. O porta-voz da chancelaria russa, Alexander Lukashevich, disse que os ataques aéreos excederam a autorização do CS.

Segundo Lukashevich, os ataques americanos e europeus acertaram alvos não militares na capital líbia e em outras três cidades. O resultado, segundo ele, é que 48 civis teriam morrido e mais de 150 teriam sido feridos (segundo informações da TV estatal líbia). Um centro médico também teria sido danificado.

"Desse modo, pedimos que os respectivos Estados sustem o uso indiscriminado de força." A Rússia também anunciou ontem que está tirando de Trípoli algumas equipes diplomáticas e outros cidadãos russos e planejava retirá-los por terra através da Tunísia nos próximos dias. O número de pessoas não foi especificado pela chancelaria, que pediu aos participantes da ofensiva militar que garantam a segurança dos cidadãos russos. / AP, EFE e REUTERS

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