Baz Ratner / Reuters
Baz Ratner / Reuters

Árabes indicam rival de Netanyahu ao posto de premiê

Partidos árabes se posicionam contra recondução do atual premiê ao cargo, o que amplia chances de Gantz

David M. Halbfinger / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 20h27

TEL-AVIV -  Após 27 anos sem se envolver em discussões sobre quem deveria liderar Israel, parlamentares árabes recomendaram ontem que Benny Gantz, um centrista ex-comandante do Exército, tenha a chance de formar um governo no lugar do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. A iniciativa provocaria uma enorme mudança no poder político.

Ayman Odeh, líder da Lista Unida árabe, escreveu ontem em artigo no The New York Times que a aliança de 13 novos parlamentares - a terceira maior bancada no recém-eleito Parlamento - decidiu recomendar Gantz porque ele “faria a maioria necessária para impedir outro mandato de Netanyahu”. 

A recomendação foi entregue por Odeh e outros membros da Lista Unida ao presidente Reuven Rivlin numa reunião. “Há sem dúvida uma importância histórica no que estamos fazendo agora”, disse Odeh. 

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Antes da eleição do dia 17, Netanyahu acusou políticos árabes de tentar roubar a eleição e, em determinado ponto, chegou a acusar os árabes de “tentar destruir todos os israelenses”. 

Odeh disse que a Lista Conjunta não participará de um governo liderado por Gantz porque ele não abraçou a “agenda de igualdade”.

Algumas demandas são combater mais os crimes violentos nas cidades árabes de Israel, mudar a política de moradia, criar leis para que bairros judeus e árabes sejam tratados do mesmo modo e melhorar o acesso dos árabes aos hospitais.

Outras incluem aumentar as aposentadorias dos árabes, impedir a violência contra mulheres, incorporar vilas árabes nas quais faltam água e eletricidade, reassumir as conversações de paz com os palestinos e rejeitar lei aprovada no ano passado que declara Israel como o Estado-nação do povo judeu.

A última vez que parlamentares árabes recomendaram o nome de um primeiro-ministro foi em 1992, quando dois partidos árabes com um total de cinco cadeiras no Parlamento recomendaram Yitzhak Rabin, embora sem se juntar a seu governo. 

Na eleição de 1992, Rabin inicialmente conquistou uma estreita maioria na Knesset, de 120 cadeiras, mesmo sem o apoio de partidos árabes, mas teve de contar com eles um ano depois quando o Shas, um partido ultraortodoxo, deixou o governo porque Rabin assinou os acordos de paz de Oslo.

Odeh escreveu que a decisão de apoiar Gantz é “uma clara mensagem de que o único futuro para este país é um futuro compartilhado, e não haverá futuro compartilhado sem a total e igual participação dos cidadãos palestinos”.

Ganz derrotou por estreita margem o primeiro-ministro na eleição de terça-feira. No fim, os dois candidatos propuseram unidade, mas diferiram no modo de consegui-la.

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O ex-comandante do Exército não conquistaria a maioria de 61 cadeiras, mesmo com o apoio da Lista Unida. Ele saiu da eleição com 57 cadeiras, incluindo aquelas dos aliados de esquerda e da Lista Conjunta, comparadas às 55 cadeiras de Netanyahu e seus adeptos de direita.

Avigdor Liberman, líder do partido secular de direita Beiteinu, que conquistou oito cadeiras, está em posição de ser o fiel da balança, mas ele disse que não recomendará nenhum candidato. Lieberman disse que Odeh e a Lista Unida não são meros adversários políticos, mas “inimigos” e pertencem ao Parlamento de Ramallah, não ao Parlamento israelense.

Rivlin começou a ouvir as recomendações de cada grande partido na noite de domingo e deverá concluir as consultas na segunda-feira, antes de confiar o governo ao candidato que ele acreditar ter mais chance de sucesso.

Rivlin disseque a população israelense quer um governo de unidade que inclua tanto o Partido Azul e Branco, de Gantz, quanto o Likud, de Netanyahu.

 

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