Árabes não chegam a texto comum sobre a guerra

Ministros árabes de Relações Exteriores não conseguiram fechar uma posição comum com relação às ameaças de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, dando a entender que seus governos estão profundamente divididos sobre como lidar com a possibilidade de um conflito na região.Os 22 membros da Liga Árabe - entre os quais está o Iraque - anteciparam em aproximadamente um mês a data de sua reunião anual e a transferiram para o Egito, tido como o lugar ideal para um consenso.Os chanceleres nomearam uma comissão de nove membros para trabalhar ao lado do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, para definir o rascunho da resolução final da cúpula de líderes árabes, marcada para amanhã na estância turística egípcia de Sharm el-Sheik, situada a quase 400 quilômetros do Cairo, na costa do Mar Vermelho.Ontem, os ministros de Exterior rejeitaram uma resolução provisória que manifestava, sem citar especificamente o Iraque, "rejeição absoluta a qualquer agressão estrangeira ilegítima contra qualquer país árabe".A linguagem deixava aberta a possibilidade de aquiescência a um ataque contra o Iraque autorizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).O conflito palestino-israelense também está na agenda da reunião de cúpula, assim como uma proposta saudita para reformas políticas na região.Na noite de ontem, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, pediu aos líderes árabes que emitissem a "declaração mais dura possível" a Saddam Hussein para que ele cumpra as resoluções da ONU referentes ao desarmamento.Segundo ele, a Liga Árabe deveria pedir a Saddam que "renuncie, saia do caminho e deixe algum líder responsável assumir o governo em Bagdá".Hoje, no Egito, o chanceler iraquiano Naji Sabri reagiu furiosamente às palavras de Powell."Esta é uma das sugestões mais tolas desta guerra psicológica suja protagonizada pelo governo norte-americano", disse Sabri a jornalistas."Quem deveria renunciar é aquele ditador despótico irresponsável (George W.) Bush, pois ele está colocando em risco sua própria nação. Ele transformou os Estados Unidos no país mais odiado e horroroso do mundo, devido à sua política de guerra colonial."Outros chanceleres árabes também rejeitaram a sugestão de Powell e lembraram que não faz parte de suas atribuições interferir em assuntos internos do Iraque.

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