Árabes no Brasil enviaram US$ 261 milhões para o Líbano

Um grupo de 15 pessoas, 10 de origem libanesa mas residentes no Brasil, enviou US$ 261 milhões para um banco do Líbano, por meio de 82 contas abertas em instituições financeiras bolivianas. Somente uma das pessoas investigadas chegou a mandar US$ 75 milhões para o Byblos Bank, em Beirute. O esquema foi descoberto pela Unidade de Investigações Financeiras da Bolívia, a partir de 1999, quando um banco local denunciou uma movimentação financeira de US$ 75 milhões feita por Khaled Nawaf Aragi, preso no Brasil por envolvimento com o tráfico de armas, narcotráfico e o traficante Fernandinho Beira-Mar. "Onde há tráfico de drogas e armas, há também o terrorismo", afirmou hoje o diretor da Unidade, Ramiro Rivas Montealegre. A partir daí, as autoridades da área de inteligência da Bolívia começaram a rastrear a procedência do dinheiro. Descobriram que vinha do Brasil e que o destino final era o Líbano, e até mesmo o Paquistão. Mas antes passava pelo Suisse Bank, Chase Manhattan, First Bank e Bank of New York, nos Estados Unidos, antes de chegar ao Byblos Bank, em Beirute. "As instituições norte-americanas não têm nenhum envolvimento no caso, apenas receberam os depósitos", ressaltou Montealegre. Segundo as investigações dos bolivianos, o dinheiro também provinha de recursos do narcotráfico, já que Khaled Aragi é um lavador de dinheiro de Fernandinho Beira-Mar. Mas as altas somas não condizem com os negócios feitos pelo narcotraficante, por isso surgiu a suspeita de que o dinheiro enviado para o Líbano pelo grupo poderia estar financiando o terrorismo internacional. "Não temos certeza ainda, mas como existia tráfico de armas, pode haver ligação com o terror", informou o investigador boliviano. Segundo levantamentos da Unidade de Investigações Financeiras da Bolívia, dos 15 integrantes do grupo que enviou dinheiro para o Oriente Médio, 10 são libaneses e os outros cinco são brasileiros e bolivianos. O único preso é Khaled Aragi, mesmo assim por narcotráfico e tráfico de armas. "Tínhamos a pessoa presa, mas até então não sabíamos dessa movimentação feita por ele, porque o envolvimento era com narcotráfico", informou Montealegre. Os documentos relacionados à investigação foram entregues hoje por Montealegre à presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Adrienne Senna, que encaminhará o caso à Polícia Federal, com quem o dirigente da Unidade boliviana se encontrará amanhã. Hoje mesmo, os dois órgãos assinaram um acordo de cooperação, que será desenvolvido também em outras áreas. "Com isso, as autoridades da Bolívia podem nos dar as provas diretamente, e o caso da lavagem de US$ 261 milhões é um exemplo disso", afirmou Adrienne.

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