Árabes pedem aos EUA que parem de ameaçar o Iraque

Ministros árabes de Relações Exteriores pediram nesta quinta-feira aos Estados Unidos que parem de ameaçar o Iraque e deixem os inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) trabalharem, lembrando que a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre desarmamento não autoriza uma ação militar contra Bagdá."Os Estados árabes declaram que a resolução 1.441 do Conselho de Segurança da ONU não dá o direito de ações militares contra oIraque", dizia um comunicado divulgado ao término de dois diasde reuniões em Damasco, Síria. "Os ministros ressaltam a necessidade de que sejam interrompidas as ameaças contra o Iraque para que os inspetoresinternacionais possam cumprir suas tarefas e desempenhar asmissões confiadas a eles pelo Conselho de Segurança em umambiente adequado", diz a declaração conjunta. O documento não menciona os Estados Unidos pelo nome.Questionado por jornalistas sobre as ameaças norte-americanas contra o Iraque, o ministro das Relações Exteriores do Líbano,Mahmoud Hammoud, disse que a resolução do Conselho de Segurança levou a crise iraquiana ao âmbito das Nações Unidas.No entanto, ele parecia resignado com a possibilidade de um ataque norte-americano a qualquer momento. "O que poderia impedir os Estados Unidos de atacarem o Iraque, fosse antes,agora ou depois da resolução?"Mais cedo, ele havia informado que os governos árabes pressionarão a Organização das Nações Unidas (ONU) para queindiquem árabes para compor a equipe de inspetores que realizabusca de laboratórios e armas de destruição em massa no Iraque.Hammoud disse que o Líbano e a Liga Árabe redigiram uma listade possíveis inspetores para ser apresentada à ONU. "Nãoestamos apenas esperando e desejando, também estamos trabalhando para que árabes estejam entre os inspetores", afirmou Hammoud, que presidiu o encontro de representantes da Liga Árabe reunidos para discutir a disputa entre Estados Unidos e Iraque e o conflito árabe-israelense.Hammoud afirmou que os Estados árabes vêm acompanhando com bastante atenção o trabalho dos inspetores no Iraque. Há duassemanas, a Liga Árabe manifestou desejo da presença de árabes na equipe de inspetores.Hans Blix, chefe da missão da ONU, disse na ocasião que havia treinado seis jordanianos e um marroquino. Não se sabe, noentanto, se tais pessoas estão na equipe que trabalha no Iraque.Mais cedo, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pediu aos governos árabes que estabeleçam uma política conjunta paralidar com o que ele qualificou como "uma situação extremamentedeteriorada" no Oriente Médio.Falando apenas algumas horas depois de um atentado ter causado 12 mortes em Jerusalém, Moussa pediu aos chanceleres que mantenham "discussões boas, profundas e francas sobre areabilitação da ação árabe".

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