Árabes que vivem em Israel são presos acusados de ajudar terroristas

Sete árabes que moram em Israel foram detidos por suspeita de terem colaborado num ataque suicida a bomba que deixou nove mortos, informou hoje a polícia israelense, fazendo aumentar preocupações de uma crescente aliança entre árabes e militantes palestinos. Segundo a polícia, os suspeitos ajudaram no armazenamento de explosivos numa creche, vestiram o atacante como um turista e então buscaram o alvo - um ônibus repleto de soldados e civis israelenses. Na semana passada, a polícia havia detido quatro moradores árabes de Jerusalém por suspeita de que eles haviam promovido diversos atentados a bomba, entre eles o de 31 de julho na cantina da Universidade Hebraica, que matou nove pessoas, entre elas cinco norte-americanos. As prisões aumentaram as preocupações de que árabes com documentos de identidade israelenses possam usar isso para promover ataques terroristas. Árabes israelenses, que constituem 1 milhão dos 6 milhões de cidadãos de Israel, e os 200.000 palestinos de Jerusalém, que têm documentos de identidade israelenses, têm liberdade de movimento não desfrutada por moradores da Cisjordânia, que estão proibidos de entrar em Israel durante os 23 meses de confrontos. O porta-voz do primeiro-ministro Ariel Sharon, Raanan Gissin, classificou as últimas prisões de um "desdobramento sinistro" e afirmou que militantes palestinos "estão tentando recrutar árabes israelenses para participar ativamente em atos terroristas". Gissin e líderes árabes israelenses destacaram que a grande maioria de cidadãos árabes não está engajada em terrorismo. Vários árabes israelenses já foram mortos ou feridos em ataques a bomba palestinos. Também hoje, um advogado do governo israelense disse à Suprema Corte que a deportação de três parentes de supostos terroristas palestinos da Cisjordânia para a Faixa de Gaza não viola o direito internacional. Um painel de nove juízes começou hoje a ouvir argumentos no caso. Os militares israelenses argumentam que as expulsões ajudam a deter o terrorismo, mas advogados dos direitos humanos consideram que elas violam a lei internacional e constitui punição coletiva. Na Faixa de Gaza, dois disparos de morteiro hoje atingiram assentamentos judeus, não causando vítimas. Os disparos colocaram ainda mais em risco um frágil acordo pelo qual Israel já retirou-se de posições em Belém e deve fazer o mesmo em Gaza, em troca de esforços palestinos para conter ataques contra israelenses. Palestinos e israelenses têm se acusado mutuamente de não permitir que o acordo seja implementado. A Autoridade Palestina tem tentado nos últimos dias persuadir o Hamas e a Jihad Islâmica a aceitar o acordo, mas os grupos têm insistido que continuarão com os ataques.

Agencia Estado,

26 Agosto 2002 | 17h11

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