Árabes temem que McCain mantenha política de Bush na região

Árabes ansiosos por ver o fim dogoverno do presidente George W. Bush temem que uma vitória docandidato republicano John McCain traga poucas mudanças àspolíticas dos Estados Unidos na região, às quais eles atribuema desestabilização do Oriente Médio. Para os políticos árabes que se beneficiaram da conduta dosEUA em alguns países, incluindo Iraque e Líbano, a permanênciados republicanos no poder pode ser uma coisa boa. Mas os muitos críticos de Bush no mundo árabe se preocupamcom a possibilidade de McCain continuar com as atuais políticasdos EUA, que eles dizem ter desencadeado o caos no Iraque eproporcionado apoio inflexível a Israel no conflito com ospalestinos. McCain quer manter tropas no Iraque até que o país estejamais estável, posição diversa dos seus rivais democratas, quedefendem a retirada das tropas de um país arruinado pelaviolência desde que as forças lideradas pelos EUA derrubaram opresidente iraquiano, Saddam Hussein, cinco anos atrás. Durante um giro pelo Oriente Médio este mês, as declaraçõesde McCain em Israel também fizeram soar o alarme entre osárabes que há muito tempo criticam Washington por não exercerpressão suficiente sobre o Estado judeu para que se retire deterras árabes ocupadas. "A primeira vez que McCain começou a chamar a atenção foiquando visitou Israel e se comprometeu a reconhecer Jerusalém(como capital israelense) e a não pressionar Israel", disse àReuters Mohamed al-Sayed Said, do Ahram Centre for Politicaland Strategic Studies, no Cairo. "Isto confirma a inclinação natural dos árabes a pensarque, qualquer que seja o próximo governo (dos EUA), será umaferramenta dos israelenses." Mas enquanto os árabes vêem pouca diferença entre oscandidatos quando se trata do conflito árabe-israelense -- comtodos repetindo seu compromisso com os interesses e a segurançade Israel -- o Iraque é visto como uma história diferente. IRAQUE A invasão do Iraque liderada pelos EUA, em 2003 -- que tevea oposição de aliados norte-americanos, como o Egito --,resultou em poder para facções xiitas, como o Conselho SupremoIslâmico Iraquiano, grupo com antigos laços com o Irã, paíspredominantemente xiita. Jalal al-Din al-Sagheer, um clérigo e membro destacado doConselho, disse que a presidência de McCain seria uma coisaboa. "Acredito que será algo positivo se o candidatorepublicano vencer a eleição. Nós sabemos como os republicanospensam." "McCain está bem próximo do governo Bush e ambos adotam amesma política", afirmou o clérigo. Em declarações durante uma visita à Jordânia, aliadopróximo dos EUA, McCain disse que a retirada prematura doIraque iria favorecer o Irã e os militantes islâmicos sunitasda Al Qaeda -- ambos inimigos dos EUA -- e pôr em perigo aregião. Mas Mudhafer al-Aani, membro proeminente do maior blocosunita no Parlamento iraquiano, fez um chamado pela correçãodos "grandes erros do governo" norte-americano. "As declarações de McCain sobre a presença dos EUA noIraque representam a mesma política do atual presidente",afirmou. Um analista político iraniano, que não quis identificar-se,disse que embora as autoridades do Irã estejam publicamentemantendo distância da eleição presidencial dos EUA, suapreferência parece ser pelo candidato democrata Barack Obama. "Imagino que eles olham para McCain como sendo um certotipo de continuidade da atual situação. Não posso dizer comcerteza, mas considerando a posição deles, imagino que não vãogostar da repetição do governo republicano", disse. "(McCain) confirmou a intenção dos americanos de mantertropas no Iraque. Isto é algo que vai contra o desejo do Irã.Eles querem que os americanos partam e a questão seja resolvidaregionalmente, com o Irã assumindo um papel importante",afirmou o analista. O comentarista sírio Thabet Salem disse que a posiçãopró-Israel de McCain e seus comentários contra a Síria, bemcomo seu compromisso de manter as tropas dos EUA no Iraquepoderiam conduzir o Oriente Médio a maior instabilidade. "McCain exibiu pouca disposição de se afastar da políticaexterna dos neoconservadores, as quais estimulam a disseminaçãodo fundamentalismo e do terrorismo", disse ele. (Reportagem de Waleed Ibrahim em Bagdá, Firouz Sedarat emDubai, Will Rasmussen no Cairo, Edmund Blair em Teerã, KhaledYacoub Oweis em Damasco)

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